20/06 - JBS anuncia programa de desinvestimentos de R$ 6 bilhões.

JBS informou nesta terça-feira (20) que fará um programa de desinvestimentos de R$ 6 bilhões. O plano da empresa inclui se desfazer de sua fatia de 19,2% na empresa Vigor Alimentos S.A, além da participação acionária na Moy Park e dos ativos da Five Rivers Cattle Feeding e fazendas.

"O programa de desinvestimento visa a redução do endividamento líquido e consequentemente a desalavancagem, fortalecendo estrutura financeira da companhia", disse a JBS em nota. O plano ainda está sujeito à aprovação do Conselho de Administração da empresa e anuência do BNDESPAR.

Entrada de um dos frigoríficos da empresa JBS em Jundiaí, no interior de São Paulo (Foto: REUTERS/Paulo Whitaker)Entrada de um dos frigoríficos da empresa JBS em Jundiaí, no interior de São Paulo (Foto: REUTERS/Paulo Whitaker)

Os R$ 6 bilhões estimados pela empresa do plano de desinvestimentos devem se juntar ao montante de R$ 1 bilhão já anunciado da venda das operações da companhia na Argentina, Paraguai e Uruguai.

Em entrevista à revista "Época" publicada neste fim de semana, o presidente do grupo J&F, dono da JBS, Joesley Batista, disse que a empresa vai fazer "desinvestimentos suficientes para virar essa página". "Vamos vender o que for preciso para recuperar as contas e a nossa credibilidade."

Crise

A JBS está envolvida em um escândalo de corrupção envolvendo o governo de Michel Temer. Desde a divulgação das primeiras notícias sobre a delação da empresa, a perda em valor de mercado se acumula em R$ 8,6 bilhões, segundo cálculo do G1 com base em dados da Economatica. A empresa já vinha de um cenário adverso depois da Operação Carne Fraca, em março. Desde a operação, a perda acumulada é de R$ 15,3 bilhões.

Na entrevista à "Época", Joesley Batista chamou Temer de chefe "da maior e mais perigosa organização criminosa" do Brasil. O empresário ainda descreveu o esquema de corrupção entre a empresa e agentes públicos, citando outros nomes como o do ex-presidente Lula, do senador afastado Aécio Neves, do deputado afastado Eduardo Cunha e do senador Renan Calheiros.