19/08 - Taxista do Maiobão apontado como suspeito do assassinato.

Professores da rede pública de ensino, alunos, familiares e amigos lotaram o cemitério Jardim da Paz, na Rodovia MA-201 (Estrada de Ribamar), na manhã de ontem, para acompanhar o enterro da professora Luzia Lopes Pinheiro. Antes do enterro, um cortejo acompanhado por centenas de pessoas seguiu pelas ruas do Maiobão até o cemitério.


Luzia, que era diretora da escola Erasmo Dias, no Maiobão, foi encontrada estrangulada, na manhã de quinta- feira (16), na praia do Araçagi. Ela foi enterrada no jazigo 9, da quadra 4 do Setor das Orquídeas. Professores e amigos lamentaram a morte de Luzia que, segundo eles, era uma professora ativa e experiente. “A dona Luzia era uma pessoa que ensinava muito aos professores mais jovens. Sem dúvida alguma foi uma perda para a docência de paço do Lumiar”, disse o professor Fernando Santos Berredo. No momento em que o caixão de Luzia foi conduzido ao jazigo, alguns familiares dela passaram mal e tiveram que ser carre- Centenas de pessoas comparecem a enterro de diretora no Jardim da Paz Polícia aponta taxista como principal suspeito do homicídio gados para fora do cemitério.

As circunstâncias estranhas do assassinato de Luzia foram bastante comentadas no enterro. Mauro Jorge Pinheiro Viégas, filho de Luzia, afirmou que a família tem certeza de que a professora foi assassinada. “Alguém atraiu ela para lá. Nós, melhor do que ninguém, conhecíamos nossa mãe e temos certeza de que ela não cometeu suicídio, como alguns estão tentado deixar a entender”.

Durante o enterro alguns professores tentaram promover um ato de protesto contra o governo, mas a atitude foi condenada por algumas das pessoas que acompanhavam o sepultamento. “Nossa luta contra o governo é justa e a cada dia que passa se aproxima mais da vitória. Não acho que este seja um local apropriado para manifestações ou protestos. O momento agora é de reflexão”, disse Fernando Berredo.

O funeral também foi acompanhado por integrantes do Sindicato dos Professores da rede pública estadual. Odair José, presidente do sindicato, afirmou que a morte da diretora deve servir de alerta. “Hoje em dia alguns setores pensam que o único problema de nós professores são os baixos salários. Esquecem-se de que nosso trabalho é estafante e que causa grande desgaste físico e emocional. É preciso que este tipo de stress comece a ser combatido”, disse o diretor.

Segundo Odair José, uma pesquisa recente demonstra que mais de 60% dos professores da rede pública de ensino no Brasil sofrem algum tipo de distúrbio mental. “A depressão, variação repentina de humor, cansaço, lesão por esforço repetitivo e dificuldade de concentração são problemas corriqueiros em nossa área. Insisto em dizer, está na hora de nós, professores, sermos deixados de ser comparados a máquinas”.

O presidente do sindicato ainda afirmou que uma comissão formada por membros do sindicato vai acompanhar as investigações de perto. “Já estamos contatando membros da Secretaria de Segurança Cidadã para garantir acesso às investigações. Não vamos deixar este caso passar esquecido sem que tudo a seu respeito seja definitivamente esclarecido”, concluiu.

Polícia continua as investigações - Por outro lado, a polícia continua as investigações em torno do estrangulamento da professora, com vistas à elucidação do crime. Ontem, o delegado Wang Chao Jen, titular da Delegacia de Homicídios, declarou que já ouviu novamente o caseiro da casa de eventos onde ela foi deixada pelo taxista, mas acredita que ele nada tem a ver com a morte de Luiza.

O delegado adiantou, no entanto, que vai intimar novamente o taxista William Braga, que trabalha no posto da Maternidade Marly Sarney e fez a corrida com a vítima. A polícia descobriu que Braga também mora no Maiobão, onde reside a professora e teria ficado bebendo com ela, na praia, até altas horas da noite. “Ele é o principal suspeito”, afirmou Wang Chao Jen.