28/02 - Polícia do PI prende no Maranhão empresários que vendiam diplomas.

Policiais civis piauienses, chefiados pelo delegado Edvan Botelho, prenderam ontem pela manhã na cidade maranhense de Timon quatro foragidos da Operação Ateneu, da Polícia Federal, que desarticulou, há duas semanas, a venda de diplomas falsos em Teresina (PI) e golpes no comércio local. Foram capturados ontem Luciano César Cardoso de Araújo, Francisco das Chagas Silva, Helder Cronembergue Silva e Melquesedeque da Silva. Agora, só um dos procurados pela Ateneu – Arilson Ribeiro de Sousa – está foragido.

Policiais de Teresina que participaram da operação que resultou na prisão de Luciano, Francisco das Chagas, Helder Cronembergue e Melquesedeque, por venda de diplomas falsos
Um dos detidos ontem, Melquesedeque da Silva, é dono do Colégio Multipla Escolha e ex-freqüentador assíduo da high society da capital piauiense. Francisco das Chagas Silva, irmão de Melquesedeque, é proprietário do Colégio Milenium. As duas instituições são bastante conhecidas em Teresina.

Melquesedeque e Francisco estavam juntos num Celta quando a polícia os abordou em Timon. Eles tentaram fugir e o veículo capotou nas proximidades da delegacia do 2º DP da cidade. Ambos sofreram ferimentos leves.

‘Derrame’ de diplomas falsos – A Operação Ateneu aconteceu no dia 14 de fevereiro, desencadeada pela Polícia Civil do Piauí. Foram presas dez pessoas, acusadas de um promover um “derrame” de diplomas falsos em Teresina: Henry Wall Gomes Freitas (advogado), Ivonete Ribeiro Soares de Sousa (funcionária da Secretaria de Educação), Francisco Cleiton de Carvalho, José Roberto de Oliveira, Antônio Viana de Oliveira, Edvaldo Bezerra da Cunha, César Alexandre Silva Rêgo Oliveira, Marco Antônio de Oliveira Mesuíta, Danilo Sousa Machado e Raimundo Luiz da Silva.

Escondidos num sítio – Segundo o delegado Edvan Botelho, a informação sobre a Operação Ateneu vazou para os quatro empresários presos ontem um dia antes de a ação ser deflagrada. Eles ficaram sabendo que a prisão deles estava decretada e fugiram, indo morar num sítio, localizado na zona rural de Timon. No esconderijo, a polícia encontrou ontem uma TV, uísque, várias camas e outros “luxos”.

De acordo com a polícia, pelo menos 3 mil pessoas entre estudantes de Direito e Medicina e técnicos que atuam em hospitais e clínicas de Teresina, compraram diplomas falsos da quadrilha. O bando atuou durante cinco anos, antes de ser desbaratado.

Alguns dos membros da organização praticavam também fraude no comércio de Teresina, adquirindo produtos eletrônicos e veículos mediante a obtenção de créditos avalizados com documentos falsos.

O presidente da Comissão Investigadora do Crime Organizado do Piauí, Francisco Carlos do Bonfim Filho, disse que convocará para depoimento os quatro empresários presos ontem.