19/08 - Polícia prende comissário suspeito de matar professor.

Como vinha noticiando o Jornal Pequeno, sobre o provável envolvimento de um policial (civil, militar ou até um vigilante) no crime, a polícia prendeu, ontem (17) à tarde, o comissário da Polícia Civil, identificado como Olivar. Suspeito de matar a tiro o professor universitário Flávio Pereira Silva, de 37 anos, que faleceu no último dia 7 no Hospital Aliança, o policial foi levado para a Superintendência de Polícia Civil da Capital (SPCC) e apresentado ao superintendente, delegado Hagamenon de Jesus Azevedo.

Juiz decreta prisão - Os delegados Maria de Jesus Sousa Lima e Adriano Silva, do 6º Distrito Policial (Cohab), deslocaram-se à SPCC e ontem mesmo iniciaram o interrogatório do acusado. O assessor jurídico do Sinpol, advogado Ronald Ribeiro, acompanhou todos os procedimentos, mas a imprensa, só à noite, tomou conhecimento de que Olivar Aguiar Cavalcante, de 48 anos, confessou ter sido o autor do disparo fatal contra o professor Flávio Silva. Alegou, porém, em sua defesa, que só sacou a arma após ter sido agredido fisicamente pela vítima.

O juiz Reginaldo Araújo, da Central de Inquéritos, decretou a prisão temporária (5 dias) do acusado, que pode ser prorrogada no decorrer do inquérito, segundo o delegado Hagamenon Azevedo. À noite, Olivar foi recolhido ao Anexo da Decop, onde ficam presos policiais civis à disposição da justiça ou que foram condenados.

Motociclista testemunhou crime e forneceu as pistas - O professor de Sociologia da Universidade Federal do Maranhão (Ufma) e do Centro Universitário do Maranhão (Uniceuma), Flávio Pereira Silva foi atingido por uma bala no dia 31 de julho último, durante uma discussão no trânsito. O crime ocorreu por volta das 8h30, no Retorno da Forquilha. A família da vítima reclama que a polícia só chegou ao principal suspeito mais de 15 dias depois, embora um motociclista tenha seguido a caminhonete Nissan L-200 azul, da pessoa que efetuou o disparo e anotado os números corretos das placas (HVZ- 2333), repassando-os aos Pms que estavam de serviço no trailer.

Relembrando o crime - Segundo testemunhas, a vítima parou em um sinal vermelho, mas quando o semáforo abriu, não conseguiu sair imediatamente porque outro veículo passava na rotatória. Atrás do carro de Flávio Pereira, o motorista de uma L-200 azul metálica, modelo antigo, teria começado a buzinar. A vítima, então, apontou o outro veículo que passava, mas o condutor da caminhonete avançou, batendo na traseira do Corsa Sedan do professor.

Imediatamente, Flávio Pereira teria descido do carro e se aproximou da L-200, perguntando se o motorista, um homem de aproximadamente 40 anos, moreno e grisalho, estava doido, mas foi recebido com xingamentos. Vendo que não conseguiria resolver a questão da batida, a vítima, então, teria se voltado para sair e buscar auxílio dos policiais militares que ficam no retorno da Forquilha, onde, inclusive, está instalado um trailer. Nesse momento, o condutor da caminhonete, empunhou uma arma e efetuou um disparo na direção de Flávio Silva, atingindo-o na axila direita. A vítima caiu e foi socorrida por populares.

Pessoas que testemunharam o caso garantem que os Pm também viram todo o episódio, mas nada fizeram. “Eles teriam visto, inclusive, quando o condutor da L-200 deu marcha-à-ré no carro e fugiu. Um dos militares estaria encostado na Blazer estacionada ao lado do treiler, no retorno, e apenas observou a L-200 passando, como se nada tivesse acontecido. Flávio Pereira foi socorrido e levado para o Hospital Aliança, onde permaneceu internado até à madrugada do último dia 7, quando morreu. Até ontem, de acordo com os familiares do professor Flávio, não havia qualquer providência por parte da polícia para localizar e identificar o condutor da L-200. Eles denunciam inclusive, que a placa anotada como HVZ-2373, seria fria (de um Fiat Uno) ou não teria sido anotada direito.