10/04 - Comitê Emergencial define ações para desabrigados.

O Comitê Emergencial reuniu ontem, 9, no Palácio Henrique de La Rocque, prefeitos e representantes de 26 municípios maranhenses atingidos pelas chuvas que assolam várias regiões do estado. A proposta é de definir as próximas ações de apoio aos desabrigados. “Todos os municípios atingidos serão assistidos pelo governo estadual”, garantiu o secretário chefe da Casa Civil, Aderson Lago.

Ele disse que poucos municípios maranhenses possuem a organização da Defesa Civil, um problema burocrático que vai dificultar a chegada de recursos federais para assistência imediata. “Os prefeitos devem decretar a situação de emergência e divulgar o ato em diário oficial para se tornarem efetivos no recebimento de ajuda”, orientou.

Destacou ainda, que o momento é de deixar a política de lado e ajudar a todos os municípios que estão enfrentando momentos difíceis. “O estado possui um grande território, mas iremos organizar uma estratégia de ação para atender a todos. Estamos somando forças com outras instituições como o Voluntariado de Obras Sociais (VOS) e o Unicef, além do Exército. Neste momento, convocamos a sociedade civil organizada, os empresários e outros órgãos para ajudar”, ressaltou Aderson Lago.

A secretária de Estado de Desenvolvimento Social, Margarete Cutrim, disse que as ações estão sendo planejadas integralmente entre os mais diversos órgãos estaduais. A Sedes iniciou a distribuição de colchões, lençóis, redes, toalhas, filtros, medicamentos, entre outros itens, pelos municípios de Gonçalves Dias, Paço do Lumiar, Trizidela do Vale e Presidente Vargas.

“Neste momento temos uma equipe trabalhando em Pedreiras”, anunciou a secretária. De acordo com a programação, os próximos a serem atendidos são: Santa Quitéria, Governador Archer, Alto Alegre do Pindaré e Arame. “Orientamos os prefeitos que direcionem as suas reivindicações à Casa Civil para que as ações não fiquem dispersas”, destacou. Ela acrescentou que o governador já autorizou a liberação de recursos suplementares, na ordem de R$ 1 milhão, que serão destinados à compra de materiais de assistência aos desabrigados.

O governo pretende realizar um levantamento do total de desabrigados, a real situação de cada município e suas necessidades mais urgentes e, desta forma, definir ações emergenciais na área de saúde e infra-estrutura e o quantitativo de mantimentos, remédios, colchões, redes entre outros materiais e serviços a serem enviados ao interior.

O prefeito de Trizidela do Vale, Jânio Bale, revelou que o município está debaixo d’água, toda a cidade está parada, o comércio com as portas fechadas, prejuízos incontáveis para a agricultura. “São cinco mil pessoas desabrigadas e acomodadas em prédios públicos, igrejas e outros locais”. Durante a reunião ele informou que a falta de alimentação é hoje o maior problema enfrentado pela prefeitura. “Começamos a receber ajuda do governo do estado, mas temos carência por alimentos”.

O prefeito de Governador Archer, Raimundo Nonato Leal, disse que as chuvas levaram as pontes, as estradas, destruíram toda a agricultura e somado ao caos, registrou o desaparecimento de um homem. “O prejuízo é grande, precisamos de toda ajuda possível, desde medicamentos, alimentação até recursos para reconstrução de casas”, observou.

A situação é ainda mais crítica em Gonçalves Dias, onde o prefeito Vadilson Dias decretou estado de calamidade pública após o rompimento da parede da barragem Nonatão. “A inundação foi brusca e atingiu as zonas urbana e rural”, explicou. Ele acrescentou que as chuvas continuam invadindo as casas, pois a barragem fica localizada numa área acima do nível da cidade. “São mais de quatro mil pessoas acomodadas provisoriamente em creches e escolas”.

Participaram da reunião, representantes das secretarias de Saúde, Desenvolvimento Social e de Cidades e Infra-estrutura, além da Defesa Civil, Caema, Polícia Militar e Corpo de Bombeiros.
Fonte: Jornal Pequeno