18/11 - Peritos dizem que família lavou local onde ganhador da Mega-Sena foi morto.

O laudo da perícia ainda não está pronto, mas a polícia já começa a ter novas informações sobre o assassinato do homem que ganhou a Mega-Sena em maio, na cidade de Limeira, a 151 km de São Paulo. Peritos do Instituto de Criminalística disseram nesta terça-feira (18), que o local onde ocorreu o crime foi lavado. A família confirmou a informação.

O que também chamou a atenção da perícia, que chegou ao local por volta da 0h desta segunda-feira (17), é que a polícia foi chamada às 21h do domingo (16), mas o crime aconteceu pelo menos uma hora e meia antes. 

A polícia ainda não sabe se o assassinato tem ligação com o prêmio da Mega-Sena. Em 2007, Altair Aparecido dos Santos, de 43 anos, ganhou pouco mais de R$ 1 milhão na loteria.

Ainda nesta terça, devem ser ouvidos na delegacia da cidade a viúva, o pai e a mãe do empresário. Eles foram convidados, e não intimados a depor. Por isso, não há hora marcada para a chegada deles à delegacia. 

 

Ameaças

Nascido em Itambaracá (PR), Santos estava em Limeira havia pelo menos dez anos, segundo alguns amigos informaram. Em um primeiro depoimento, logo após o crime, a viúva disse que o marido vinha sofrendo ameaças e apontou um homem de apelido "Chaveiro" como o responsável por elas. "Ela dizia que ele cobrava a dívida constantemente", contou Vasconcelos.

"Chaveiro" é o aposentado Dorgival Bezerra de Oliveira, de 52 anos, que reivindicava sua parte no prêmio, ganho em maio do ano passado. O funcionário da lotérica A Predileta I, no Centro, informou que o grupo de 16 pessoas sempre jogava ali. No entanto, na ocasião do prêmio de R$ 16 milhões, só 14 tinham entrado no bolão. "Chaveiro" e outro homem ficaram de fora e passaram a cobrar o dinheiro. Em entrevista nesta segunda, o aposentado negou o crime.

 

Um homem reservado

 

O paranaense foi descrito pelos amigos como uma pessoa "alegre", mas "reservada". A morte dele pegou todos de surpresa. "Nós nos falamos há um mês. Estou surpreso", contou o trabalhador rural Francisco José Gasparino, de 63 anos.

Na tarde desta segunda, ele e a mulher, Vanderci Rodrigues Gasparino, a "Zica", de 38 anos, se juntaram às dezenas de amigos e parentes que foram ao velório no Cemitério Parque de Limeira.

"Trabalhei com ele por oito anos. Não havia pessoa melhor", afirmou "Zica", que começou como empregada da família em 1997, quando eram recém-chegados à cidade. Ela deixou o serviço quando teve um glaucoma.

O trabalhador rural contou que, antes de ganhar na loteria, Santos dava aulas na rede estadual como professor substituto, já que seria formado em história. Teve um bar, "que fechou depois de ele ganhar na Mega-Sena" e, atualmente, se dedicava à sociedade em uma metalúrgica.

A informação foi confirmada pelo comerciante Marcos Aurélio Cunha, 53, que também era sócio de Santos em uma loja de carros. Eles se conheciam havia dois anos. "Não tinha contato pessoal. Era só profissional". Apesar disso, Cunha afirmou que nunca soube de ameaças direcionadas à vítima. "Era reservado. Nunca comentou esse tipo de coisa. Era espontâneo, legal".

De acordo com o comerciante, Santos havia abandonado o curso de direito para fazer uma pós-graduação em administração de empresas.