15/06 - São Luiz Gonzaga do Maranhão e sua história colossal. Por: Evandro Araújo

Por: Evandro Araújo

 

São Luís Gonzaga é uma pequena cidade cheia de contrastes populacional de predominância negra e grande diversidade cultural, localizada na beira do rio Mearim. Ela tem um pouco da cidade de Javé, cuja ficção retrata que a qualquer instante pode ser submerssa pelas águas da represa. Seus moradores não serão indenizados e não foram sequer notificados porque não possuem registros nem documentos das terras. Inconformados, descobrem que o local poderia ser preservado se tivesse um patrimõnio histórico de valor comprovado em "documento científico". Qualquer semelhança com Trizedela do Vale que fica, também, a beira do rio Mearim, são meras coincidência.

Mas, não há história sem documentos.

Pois bem, em nome de uma possibilidade de encontrar a verdade e excluindo inúmeras outras faça este relato e retrato da sua origem e o momento atual.

A origem da cidade de São Luís Gonzaga do Maranhão ocorreu durante os desbravamento dos portugueses na região no Séc. XVIII, quando colonizadores portugueses começaram a povoar e formar núcleos agrícolas às margens do rio Mearim. Num desses núcleos formou-se uma povoação primeiramente denominada Paios e, mais tarde, Vila Velha, cujo desenvolvimento aumentou com a chegada e novos colonos e a força do trabalho escravo. Pela Lei provincial Nº 196, de 29 de agosto de 1844, foi criada a Freguesia de São Luís Gonzaga elevada dez anos depois à categoria de vila pela Lei  provinvial Nº 349, de 12 de junho de 1854, desmembrando de Itapecuru Mirim e transferida pouco depois para o lugar Machado. O território de São Luís Gonzaga, que era um dos mais extensos do Estado, foi desmembrado para a constituição das áreas que hoje formam os municípios de Pedreiras e Bacabal. Pelo Decreto-Lei Nº 820, de 30 de dezembro de 1943, que deu nova divisão administrativa e judiciária ao Estado, passou a denominar-se Ipixuna. A 21 de junho de 1954, pela Lei Nº 485, recuperou o topônimo pelo qual tornara conhecido desde o tempo de sua transformação em freguesia. Para se ter uma idéia da dimensão através da Lei estadual nº 269, de 31-12-1948, é criado o distrito de São Lourenço do Ipixuna e anexado ao município de Ipixuna. E em divisão territorial datada de 1-VII-1950, o município já denominado Ipixuna é constituído de 2 distritos: Ipixuna e São Lourenço de Ipixuna. Assim permanecendo em divisão territorial datada de 1-VII-1960. Pela lei estadual nº 2151, de 26-10-1961, desmembra do município de Ipixuna o distrito de São Lourenço de Ipixuna. Para formar o novo município de Lago do Junco.

Ressalto que a palavra Ipixuna, entretanto, só aparece em crônicas de viajantes e de forma pejorativas pelos antigos conterrâneos.

São Luís Gonzaga quando se observa no mapa constata-se que ela está localizada num ponto estratégico do estado bem centralizada no Vale do Mearim (Médio Mearim). Tem várias entradas e saída para os demais MA's e BR's. Muito embora, somente um trecho da MA 247 é pavimentada, apesar de termos pontes sobre o rio, onde parte do Brasil e do Estado do Maranhão tomou conhecimentos da sua importância, via canais de televisão, haja visto ser rota de fuga durante a cheia do rio Mearim, pois há males que vem para o bem.

O quesito político, até bem pouco tempo atrás, era uma cidade típica de qualquer interior do estado dividido em dois grupos, que se revezavam administrativamente.

O apogeu agrário (cultivo do milho, feijão, algodão e arroz) ocorreu na década de 70 e 80 que dependeu exclusivamente da comunidade negra rurais quilombolas ou das Mãos da Terra de Preto, contribuíram em muito no abastecimento do Maranhão.

A população a cidade é ordeira com um potencial educacional inestimável, pois sempre se destaca nos concursos de nível nacional, estadual, federal e vestibulares. Dizem que pelo fato de se comer muito da mistura do cuxá, feijão e "pisica" e também pelo fato de4 ser protegido pelo Santo padroeiro da cidade que leva o mesmo nome. E, também, detentoura de um número significante de comunidade quilombolas dentre elas cito: Centro dos Cruz/Bela Vista; Fazenda Conceição; Santa Rosa; Pedrinhas; Santana; Morada Nova do Deusdeth; Morada Velha; Monte Cristo; Potó Velho; Mata Burros; Santo Antônio dos Vieiras. E, Não esquecendo que existe uma peculiaridade na nossa terra que é um “quilombo de branco” localizado no povoado Natal. E como falei também, no início, da diversidade cultural esta comunidade detém e são portadores de bens materiais e imateriais, referentes à identidade, à ação, à memória dos grupos afro-brasileiros da cidade e constituinte do patrimônio cultural estadual e brasileiro.

Quem visita a cidade ainda tem a oportunidade de conhecer a maior edificação feita pela família Abud na margem da cidade. Infelizmente é uma das poucas edificações, pois havia uma Igreja com característica Gótica a qual com o passa dos anos, no local, foi edificado um moderno prédio que é a sede da prefeitura, esta, por sinal, a população tocou fogo mediante a uma frustante gestão pública.

O tempo é a razão de tudo. Pelos índícos da  modernidade que a cidade saboreia e começa a tomar conhecimento, ainda, nortei-me algumas descrições.

Atualmente caminhando de um lado a outro dos bairros e ruas desta nossa cidade interiorana, caros amigos(as), onde o predomínio de pessoas de origem afrodescendente já não se percebe mais, bate-me aquela saudade dos tempos idos em que o maior perigo do trânsito era o atropelamento de um sapo ou um gato, por aquele animal ou bicicleta que usávamos nos domingos para passear nos parentes/amigos distantes (como eram boas as frutas que comíamos nas copas das frutíferas, que subíamos com muita destreza).

Olhar a rua do colégio em que estudava (que já sofreu inúmeras reformas) asfaltada, cheia de quebra-molas, casas e edifícios se acotovelando, faz lembrar-me aquela estrada de chão batido na qual corríamos a brincar para ver o animal atolarem nas lamas com suas sacas de arroz, feijão, neste período do ano (safra), jogar bola e deixar nossas roupas naquele estado propício para comercial de OMO sabão em pó na televisão. A rua já não se chama mais “Rua da Barroca”, parece que já tem até saneamento básico.

É incrivel, caros amigos(as), mas aquela praça, igreja, a roças que atravessávamos, pulando as cercas dos potreiros, atravesando o rio, lago e infiltrando-nos mato adentro até chegar a vazante, deixou de existir para ser ocupada por edificações desordenadas. Transformaram-na em um grande loteamento popular para abrigar os trabalhadores vindos de outras cidades e até os da nossa, a procura dos empregos calçadistas.

A nossa cidade, caros amigos(as),  está transformada.

As casas não são mais aquelas feitas de madeira com uma cerquinha branca e um belo jardim à frente e uma horta orgânica nos fundos. Muitas grades, caros amigos(as).

O comércio abandonou o velho e bom caderninho, fiado que deu lugar aos carnês controlados por computadores interligados na grande rede.

E as pessoas, caros amigos(as), , já não as conheço mais… Tem gente de todas as raças, credos e cores.

Já não posso mais sair a noite caminhando pelas ruelas escuras observando a lua e as estrelas como fazíamos.

O nosso bairro, caros amigos(as), está transformado e é isso que me leva a devaneios e conceitos que não se definem. Ver a cidade mudar desta forma e sentir que eu mesmo transformei-me externa e internamente, por pura falta de omissão e de união de compartilahemnto de conhecimentos diversos, faz lembrar-me dos nossos sonhos, das nossas espectativas e das ações que impetramos na conquista deles.

É isso, caros amigos(as). Quando aqui voltares e perceberes que o que falo é real, talvez nem a mim reconhecerás, tantas mudanças, caros amigos(as), pois tudo acaba onde começou...

Esta carta missiva foi escrita baseada em fatos reais e sua postagem foi incentivada pelos caros amigos(as) que anda surpeendendo em seus blogs.

Parabéns São Luís Gonzaga do Maranhão pelos seus 155 anos de emancipação política.

 

EVANDRO ARAÚJO - Natural de São Luís Gonzaga do Maranhão