31/08 - Fiéis homenageiam São José de Ribamar em romaria.

SÃO JOSÉ DE RIBAMAR - Guiadas pela fé, cerca de 20 mil pessoas caminharam durante horas, na noite de sábado (29) e madrugada de domingo (30), na tradicional romaria de São José de Ribamar, que integra a programação do festejo em homenagem ao santo, iniciado na última sexta-feira (28). A multidão de romeiros saiu do retorno da Forquilha às 23h de sábado e chegou à cidade por volta das 4h. Enquanto os romeiros faziam o percurso, alguns fiéis já estavam na igreja de São José de Ribamar, orando, pedindo graças e pagando promessas. Na basílica, foram realizadas missas das 23h às 4h, com a participação de mil pessoas em cada uma delas, segundo a organização do festejo.

Os romeiros foram acompanhados por carros de apoio, trios elétricos e o veículo que carregava a imagem de São José. Algumas pessoas acompanharam a romaria por devoção, como forma de agradecimento pelas bênçãos que o santo lhes têm dado.

Graça Regina Santos Leite saiu às 23h30 do Tambaú e fazia o percurso com a imagem do padroeiro na mão. “Participo da romaria há cinco anos, mas não para pagar promessa. Sou devota de São José e participo por uma questão da paz espiritual. Fico muito feliz em poder participar da romaria. Estou demonstrando o amor que tenho por Deus”, declarou a devota.

Acompanhada de familiares e empurrando um carrinho de bebê, Rosilene Gonçalves participou pela primeira vez da romaria. Ela saiu da Forquilha às 21h30 para agradecer um milagre feito por São José. Sua filha, Raynara Vitória, de 1 ano e três meses, nasceu prematura e sem a abertura do ânus. Com apenas três dias de nascida, foi submetida a uma cirurgia delicada. Rosilene não hesitou e pediu a saúde da filha ao padroeiro. “A fé representa muito em minha vida. Conversei com São José e ele me escutou. Vim agradecer pela saúde da minha única filha. Estou realizada”, afirmou.

Sacrifício

Caminhando lentamente desde o Maiobão, Ruylamar Viana, 59, acompanhava os demais romeiros apoiado em uma bengala, sem pressa e mostrando muita disposição. Há três anos, ele sofreu um derrame e ficou totalmente paralisado por seis meses. Durante o período em que ficou internado no Socorrão, Ruylamar pediu a São José que lhe concedesse a graça de voltar a andar. “Pedi com fé que os meus movimentos fossem devolvidos. Voltei a andar e isso foi uma bênção muito grande em minha vida. Este é o segundo ano que acompanho a romaria”, disse.

Preocupado com o estado da avó, do pai, da tia e da sogra, que estavam muito debilitados, o romeiro Marcelo Eduardo Rodrigues de Oliveira, 21 anos, pediu saúde para seus entes queridos e, como forma de agradecimento, prometeu sempre acompanhar a romaria de São José de Ribamar. Descalço, ele participou pela quinta vez da romaria, carregando uma vela de 1,65m de altura. O jovem disse que tem muita fé em Deus e em São José de Ribamar, de quem é devoto. Segundo ele, a caminhada serve para agradecer por tudo que ganhou e perdeu na vida. “Infelizmente, meu pai faleceu e fiquei com muito medo de perder minha avó. Ela me criou e a considero minha mãe, mas hoje ela está muito boa. Através da minha fé, realizo meus sonhos”, afirmou.

Marcelo Eduardo Oliveira é membro da Igreja de Nossa Senhora da Glória (Alemanha) e lamentou pelos jovens que estão afastados da Igreja e procuram Deus somente nos momentos difíceis, quando precisam de ajuda e têm sua fé testada. “Muitos jovens se esquecem de Deus. A relação que mantemos com ele deve ser constante. Não apenas quando precisamos de algo. Devemos resgatar essa juventude que se perdeu de Deus”, frisou.

Padre Bráulio Ayres se emocionou ao ver tantas pessoas reunidas, o número de fiéis e, principalmente, a quantidade de jovens, que superou as expectativas do pároco de São José de Ribamar. “A cada ano, o número de participantes aumenta. Percebi que os jovens estão voltando a ter a prática religiosa. Agradeço os romeiros por fazerem essa homenagem linda a São José e por resgatar a religiosidade popular”, enfatizou.

Ao chegarem a São José de Ribamar na madrugada de ontem, os fiéis se concentraram na praça da Matriz para acompanhar a missa da Acolhida, celebrada pelo padre Hélio. A imagem permaneceu na concha acústica até o fim da missa e depois foi deslocada para a igreja. O local ficou pequeno por causa do grande número de devotos que estava ali demonstrando sua crença, devoção e amor por São José de Ribamar, por Maria e pelo Menino Jesus. Os calos nos pés, as dores espalhadas pelo corpo e o cansaço tornaram-se imperceptíveis diante da multidão.