04/10 - Filiações redesenham quadro político no Maranhão.

SÃO LUÍS - O grupo da governadora Roseana Sarney (PMDB) alcançou a maioria absoluta na Assembleia Legislativa, repatriou prefeitos e ex-prefeitos que haviam tomado outros rumos em 2006, garantiu a densidade eleitoral a todos os partidos de sua base e chegou como vencedor ao fim do período de troca-troca partidário, considerado o primeiro round das eleições de 2010. Os ex-governadores Jackson Lago (PDT) e José Reinaldo Tavares perderam aliados. Tavares viu definhar o seu partido, o PSB - mesmo com as ameaças públicas de retaliação, e não conseguiu garantias de que terá o deputado Flávio Dino (PCdoB) como cabeça-da-chapa pela qual pretende chegar ao Senado.

Todos os partidos da base governista ganharam força eleitoral, em maior ou menor grau. O destaque na reta final é o PMDB, que cresceu fortemente, chegando a 10 deputados estaduais. A musculatura peemedebista é importante, sobretudo, para convencer a direção nacional do PT de que tem cacife para bancar uma aliança no estado. DEM, PV, PP, PSC e outras pequenas legendas também saem do período de troca partidária com pelo menos um puxador de votos para as eleições proporcionais.

“Este foi um divisor de águas. Aqui se definiu os rumos da eleição. Estas filiações são fundamentais para levar nosso projeto às bases no interior”, avaliou o deputado Sarney Filho, na quinta-feira, durante a festa de filiações ao PMDB e ao seu partido o PV. Mas entusiasmado ainda, o vice-governador João Alberto de Souza decretou: “Venceremos no primeiro turno, elegeremos os senadores e as maiores bandas na Câmara e na Assembleia”.

Palanques

A pujança eleitoral demonstrada pelos partidos por meio de seus filiados tem uma razão de ser: só estes filiados, principalmente os com mandato, podem criar as bases necessárias no interior. São os deputados, vereadores e prefeitos que levam o nome do candidato aos rincões mais distantes da capital. Sem essa base, fica quase impossível chegar à ponta, ao eleitor.

Com apoio de 28 deputados na Assembleia, Roseana tem palanque em pelo menos 30 regiões do estado. Somando aos parlamentares os prefeitos e vereadores aliados, se terá um batalhão de cabos eleitorais durante a corrida pelo Governo do Estado. É este o diferencial que garante a vitória.

Os deputados federais do grupo de Roseana agora são 10, depois das filiações de Zé Vieira e Davi Alves Júnior, ambos no PR. A bancada da oposição ficou com Julião Amim (PDT); Carlos Brandão, Pinto da Itamaraty e Roberto Rocha (PSDB); Ribamar Alves (PSB); Dutra (PT) e Flávio Dino (PC do B). Kleber Verde (PRB) ainda não se pronunciou. Certeza de que será “jakcista” só pode ser dada com relação a Amim. Todos os demais dependerão dos formatos de acordo que se darão para as coligações para a Presidência da República.

As adesões conquistadas pelo grupo que reúne PMDB, DEM, PV, PP, PTB, PRB, PHS, PSC, e PSL somaram prefeitos eleitos em 2008 principalmente do PDT. Exemplos de maior repercussão podem ser marcados pelas mudanças anunciadas por Raimundo Lisboa, de Bacabal; Chico Coelho, de Balsas; Emiliano Azevedo, de João Lisboa; Juarez Lima, de Icatu; Zequinha Coelho, de Estreito; Irene Soares, de Presidente Dutra; Bia Venâncio, de Paço do Lumiar, e Soliney Silva, de Coelho Neto. Agora são 152 prefeitos do grupo ligado a Roseana Sarney. Dos demais, 25 se dividem entre os grupos de Jackson Lago e José Reinaldo (PSB) e 30 ainda não se proncunicaram.

A base governista na Assembleia

A bancada governista na AL cresceu 100%: subiu de 14 para 28 deputados

O PMDB sozinho supera a bancada jackista: tem 10

deputados contra 7

A bancada governista tem três vezes mais partidos

que a jackista

O perde e ganha dos partidos

1 - Grupo de Roseana Sarney

PMDB

O que ganhou: seis deputados estaduais, o prefeito pedetista de Balsas, Chico Coelho; e o presidente da Famem, Raimundo Lisboa; o ex-prefeito de São Luís, Tadeu Palácio, e a cantora Alcione Nazaré.

O que perdeu: o prefeito de Imperatriz, Ildon Marques, que foi para o aliado DEM

DEM

O que ganhou: manteve os seis deputados estaduais e ganhou o ex-prefeito de Imperatriz, Ildon Marques.

O que perdeu: O ex-prefeito Tadeu Palácio trocou a filiação ao partido pelo PMDB

PV

O que ganhou: dobrou a sua bancada na Assembléia Legislativa e conseguiu filiações de forte representatividade pública para a sucessão estadual.

Não perdeu.

2 - Grupo de Jackson Lago

PDT

O que ganhou: não houve filiações de peso nas hostes pedetistas, mas o partido manteve o ex-deputado Clodomir Paz como pré-candidato a senador.

O que perdeu: teve sua bancada reduzida na Assembleia e perdeu os prefeitos de Bacabal e de Balsas, importantes colégios eleitorais.

PSDB

O que ganhou: Atraiu o ex-ministro Edson Vidigal e o ex-vice-governador Luiz Carlos Porto, esvaziando as pretensões do ex-governador José Reinaldo Tavares.

O que perdeu: Viu sua bancada de oito deputados na Assembleia Legislativa ficar reduzida a apenas dois - Gardeninha Castelo e João Evangelista.

PPS

O que ganhou: a única vitória do partido pode ter sido a permanência da deputada Eliziane Gama, que vinha assediada por outras legendas.

O que perdeu: O ex-vice-governador Luiz Carlos Porto não ganhou a queda-de-braço com Paulo Matos e foi procurar abrigo no ninho dos tucanos.

3 - Grupo de José Reinaldo Tavares

PSB

O que ganhou: Apenas uma coisa consola o PSB maranhense: a decisão de quinta-feira, do TSE, de que os partidos podem requerer mandato dos que trocaram de legenda.

O que perdeu: Foi o que mais se enfraqueceu politicamente, tanto pela perda de lideranças importantes quanto pela posição intransigente e chantagista da cúpula.

PCdoB

O que ganhou: os comunistas receberam a adesão do deputado Rubens Pereira Júnior, garantindo presença no plenário da Assembléia.

O que perdeu: seu principal aliado, o PSB, enfraqueceu-se muito no estado, o que pode repercutir na campanha comunista pelo Governo do Estado.

PT

O que ganhou: As adesões ao PT são medíocres, do ponto de vista eleitoral e político, mas fortalece a chapa proporcional do partido.

O que perdeu: não houve perdas ao PT, que só decidirá seu rumo eleitoral a partir da escolha do novo comando estadual, em novembro.