13/01 - Profissão: Jornalista

  É impossível falar desta profissão, sem antes falar do contexto histórico em que ela surgiu. A circulação de informações em manuscritos começa a partir do surgimento da escrita em torno de 3.500 antes de Cristo. Porém, a imprensa mais ou menos nos moldes que conhecemos atualmente surgiu no Império Romano com as gazetas, termo sinônimo de jornal no latim. No entanto, tais publicações não possuíam periodicidade, uma das características básicas de um veículo de comunicação. Serviam para a divulgação dos eventos do Império. Eram inscritas manualmente e distribuídas nos órgãos públicos e em ambientes em que a elite freqüentava. Não muito diferente do jornal impresso de hoje.

Na segunda parte do século XV, surge a máquina de imprimir de Gutenberg. O equipamento deu novos ares à imprensa. A partir de então, começam a circular diversos jornais na Europa. Apesar desses avanços na impressão, a visão sobre o conteúdo permanece a mesma praticamente ao longo dos quatro séculos seguintes.

A imprensa ganha formas capitalistas - privilegiando a objetividade e o profissionalismo, e sobrevivendo da publicidade - somente a partir do final do século XIX, com o fortalecimento da indústria e do comércio. Esta nova estrutura de mercado precisava de uma “máquina ideológica” bem estruturada para fazer a defesa de suas práticas. Deste momento em diante, a imprensa intensifica sua atuação em meio à sociedade e cumpre o papel de mediadora social. Eventos tecnológicos como a invenção do Rádio (década de 1920) e da Televisão (década de 1930), consolidam definitivamente a instituição Imprensa. O mundo passa a ser visto de forma real. O ilusório dar lugar às imagens e aos relatos baseados na realidade. É o início da Globalização, que concretiza-se com o progresso nas comunicações e nos transportes.

É neste ambiente capitalista e empresarial que surge a figura do jornalista. Com preparo técnico e formação humanística, o profissional busca suprir as exigências do público e das empresas jornalísticas, que começam a garantir espaço e credibilidade na sociedade e, para isso, necessitando de operários afinados com essa nova ordem. 

Não Obrigatoriedade do Diploma

A obrigatoriedade do diploma em Jornalismo há tempos estava sendo questionada. Até que em 17 de junho de 2009, o Supremo Tribunal Federal (STF) considerou inconstitucional a exigência do diploma para o exercício da profissão. A decisão do STF pode não ser definitiva, uma vez que existe a possibilidade do Congresso Nacional legislar a respeito do tema. Por outro lado, há quem defende que tal lei será imediatamente considerada inconstitucional, devido a Constituição garantir a liberdade de expressão a todo cidadão.  

Nesse mar de incertezas, algo é certo. A formação é indispensável para o indivíduo adquirir de forma rápida e segura um conjunto de técnicas para ingressar e se manter com sucesso no mercado. Por isso, independente da obrigatoriedade ou não do diploma, o profissional deve buscar uma formação consolidada. Quem almeja profissionalizar-se em jornalismo deve buscar além do curso de Comunicação Social – habilitação em Jornalismo, outros conhecimentos.  

As pessoas que defendem a não obrigatoriedade argumentam que alguns excelentes jornalistas não possuem diplomas. Isso, no entanto, não quer dizer que eles não tenham uma formação cultural e intelectual privilegiada. Geralmente, são competentes advogados, economistas, sociólogos, etc, e que ralaram em um veiculo de comunicação para aprender as técnicas necessárias para escrever um texto jornalístico. 

Formação

No Curso de Jornalismo, o estudante não aprende somente técnicas para redigir para os diferentes meios de comunicação, manusear uma máquina fotográfica ou câmera de vídeo. Nos quatro anos de formação, há um grande equilíbrio entre teoria e prática e as disciplinas oferecidas são abrangentes. Umas são altamente teóricas, como Língua Portuguesa, Economia, Teoria Política, Sociologia, Filosofia, Teorias da Comunicação, Perspectivas Sócio-Políticas, Notícia e Mercadologia, Legislação e Ética. Outras predominantemente práticas, como Redação Jornalística (para a TV, Rádio, Impresso, Online), Técnicas de Entrevistas, Práticas em Radiojornalismo, Práticas em Telejornalismo, além de prática em laboratório. Cada faculdade possui uma redação onde os estudantes centralizam suas atividades de pesquisa, apuração e redação. A faculdade mantém ainda um elo com o mercado de trabalho, através de palestras, seminários, estágios, que são o grande portal para o estudante entrar no mercado. A Comunicação Social abrange outras habilitações como Relações Públicas, Publicidade e Propaganda, Marketing, Radialismo, Cinema, e a mais recente delas, Editoração. Nem sempre a faculdade oferta todas as habilitações.

Mercado de Trabalho

O campo de trabalho para o jornalista é amplo. Conforme o meio de comunicação, ele pode ocupar as funções de repórter, apresentador, chefe de reportagem, editor, diretor de jornalismo, comentarista esportivo, político, econômico, etc. Temos ainda a assessoria de imprensa (para político, artista, empresa e órgãos públicos). Hoje cresce também o Jornalismo Online, que tem aberto inúmeras oportunidades aos profissionais. Devido ao crescimento econômico do país, as empresas jornalísticas estão em expansão. 

Histórico

O Curso de Comunicação Social foi criado oficialmente em 1952 obtendo reconhecimento pela Lei nº 1254/1950. Antes, os profissionais vinham de várias áreas e muitos deles nem tinham uma escolaridade satisfatória. Mas, é bom destacar que até essa época, o jornalismo não era uma atividade que privilegiava a objetividade, a isenção, o profissionalismo.

Objetivos

Formar profissionais conscientes da realidade em que vive, utilizando o seu potencial criador em benefício da sociedade de forma crítica.

Ingresso no Curso

A forma de ingresso em cada habilitação é via vestibular, sendo que o candidato escolhe no ato da inscrição a habilitação em que pretende ingressar. Na faculdade, geralmente, os três primeiros semestres são comuns a todas as habilitações, sendo denominado esse período de “Tronco Comum”. A partir do 4º semestre, são apresentadas as disciplinas especificas. O curso tem a duração de quatro anos.

 Maurício Azevedo – Bacharel em Comunicação Social - habilitação em Jornalismo, pela Universidade Federal de Mato Grosso, no período de 2002 a 2005. Jornalista (MTb 890-MA).