20/01 - BACABAL DECLARA GUERRA AO CRACK.

BACABAL DECLARA GUERRA AO CRACK

Promotoria de Justiça da Infância e Juventude conclama a sociedade de Bacabal ao combate às drogas, Fazenda Esperança vai oferecer tratamento aos viciados, Conselho Tutelar recebe automóvel da Prefeitura para realizar ocorrências com agilidade e Município criará o Conselho de Combate às Drogas. Estas são algumas ações que vão ajudar a combater o avanço da droga que mais mata e tem o poder de viciar o usuário.

 

REPORTAGEM

Maurício Azevedo

 

Assim como em outras cidades brasileiras, o consumo do crack cresce de forma assustadora em Bacabal. Não apenas adultos, mas adolescentes e até crianças tornam-se vítimas dessa droga. O crack chegou à cidade de maneira gradativa, substituindo a maconha e, em muitos casos, atraindo pessoas que sequer consumiam qualquer tipo de entorpecente.

Apesar de ainda não existir números exatos dos viciados no município, as autoridades dos três poderes, Ministério Público, Conselho Tutelar e entidades não governamentais ampliam a corrente de uma campanha, encabeçada pela Promotoria de Justiça da Infância e Juventude da cidade, para deter o avanço da droga e efetivar medidas de recuperação dos viciados.

O consumo da droga revela-se de várias formas. A criminalidade é um dos principais fatores relacionados ao consumo de crack e outras drogas de grande poder de dependência. Assaltos, furtos e assassinatos são cometidos com freqüência pelos usuários, que não medem esforços para conseguir a pedra da morte. Esses crimes aumentaram nos últimos anos, por conta da disseminação do crack na sociedade, principalmente nas comunidades carentes, onde estão localizadas com mais freqüência as bocas de fumo.

Mas uma parceria entre os órgãos públicos vai viabilizar o tratamento de um grupo de usuários bacabalenses na Fazenda Esperança, uma clínica de desintoxicação localizada em Coroatá-MA. O tratamento pretende levar descanso aos usuários e seus familiares, e ainda alívio às autoridades policiais. Afinal, pessoas tratadas significam menos violência e mais tranqüilidade para a população. A Clínica atende pessoas de outras regiões do Maranhão e a parceria supre as reivindicações dos pais dos viciados.

O promotor de justiça da comarca de Bacabal, Luiz Gonzaga, responsável pela Promotoria de Justiça da Infância e Juventude, sempre revela em suas declarações as preocupações com o crescimento do consumo do crack. Ele informa que a crackolândia invade bairros e ruas, não respeitando nenhuma barreira social para se instalar, atingindo todos os segmentos da sociedade. Não respeitando idade nem sexo.

Luiz Gonzaga teve a iniciativa da campanha para tentar despertar a sociedade para o problema. Ele acredita que o trabalho sistematizado de diversos segmentos seja capaz de mobilizar as autoridades e demais membros da população a discutir o assunto e decidir sobre as medidas cabíveis para impedir o acesso cada vez maior de pessoas às drogas.

Durante a deflagração da campanha, a Prefeitura do Município entregou um carro Fiat Uno para o Conselho Tutelar verificar com dinamismo as denuncias, atender as vítimas e agilizar os devidos procedimentos sobre os casos de sua responsabilidade. O Município comprometeu-se ainda a repassar um auxílio mensal de R$ 3 mil para que o Conselho Tutelar faça o seu trabalho dando total apoio aos casos de jovens viciados.

A Prefeitura de Bacabal prometeu ainda ajudar no que for preciso os agentes públicos na criação do Conselho Municipal de Combate às Drogas, que além de discutir a temática com a sociedade, vai ser uma importante via para o município angariar recursos públicos estaduais e federais para a estruturação de uma clínica de tratamento na própria cidade de Bacabal.

O juiz de direito, responsável pela Vara da Infância e Juventude, do Fórum do Município de Bacabal, Roberto de Paula, alerta que os casos de jovens envolvidos com drogas não é apenas uma questão da família, do Conselho Tutelar ou da Justiça, mas sim de toda a sociedade. Segundo o juiz, o ato dos familiares abandonarem o menor à própria sorte não deve ser visto como a melhor saída. Afinal, a família tem o dever de prestar apoio aos seus membros e isso é parte essencial no processo de recuperação do indivíduo drogado. Para o juiz, não somente centros de tratamento são o suficiente para livrar a juventude drogas, porém ações educacionais e sociais realizadas por todos os agentes sociais devem ser incluídas nas atividades para impedir o acesso das pessoas aos entorpecentes.

Salvar o filho

A população de Bacabal ouviu nos órgãos de comunicação locais, um relato desesperador de um pai que perdeu a alegria da vida ao descobrir que o filho menor de 16 anos, viciou-se no crack há seis meses.

O pai desabafou perante câmeras e microfones que não sabe mais o quer fazer, porque o filho, para manter o vício, furta os objetos de casa para trocar pela pedra. O pai acredita que sua separação da mãe do adolescente contribuiu para o jovem entrar no mundo das drogas. Após separar-se da ex-esposa, o pai viajou e ao voltar encontrou o filho mergulhado no vício, realizando constantes furtos e assaltos para custear o consumo do crack.

Depois de apelar às autoridades tratamento ao filho, o homem finalmente teve o desejo atendido. O menor vai ser um dos primeiros conduzidos à Fazenda Esperança para receber tratamento médico de desintoxicação e orientação psíquico-social. “Vou fazer o que for preciso para libertar o meu filho das drogas”, declarou o pai emocionado nos programas da televisão local.  

Casos Registrados

O Conselho Tutelar de Bacabal repassou para a equipe do CUXÁ os dados sobre as atividades do órgão em 2010. Um balanço assustador. Os casos de violência contra menores no município mostram o quanto é importante o trabalho do Conselho no sentido de combater essas práticas ilegais contra as crianças e adolescentes.

A violência dentro de casa é uma das razões que levam jovens a entrar no mundo das drogas e do crime, afirmam os especialistas no assunto.

Nas ocorrências específicas sobre o envolvimento do jovem menor de 18 anos com drogas, o caso é notificado no Conselho e em seguida o menor e sua família recebem acompanhamento psíquico-social do CREAS e a Promotoria de Justiça da Infância e Juventude é informada sobre os casos para que possa realizar os procedimentos legais para manter o juiz da Infância e Juventude a par de todos os métodos usados no tratamento.

De acordo com a conselheira Francilene dos Santos Cutrim, na maioria das vezes, os populares, como vizinhos e pessoas que tomam conhecimento de atos ilegais praticados contra menores ou envolvimentos destes com drogas, são os que repassam as informações para o Conselho, pois só a partir dessas denuncias o órgão tem condições de fazer valer os direitos das crianças e adolescentes. “É muito difícil a família denunciar algum problema que ocorre no seio familiar. Os parentes só denunciam quando a situação está insustentável”, destaca a conselheira Francilene, que acrescenta que esse comportamento dos familiares impede a ação dos órgãos públicos na promoção de meios para garantir o combate às drogas e outras delinqüências juvenis.

 

TIPO DA OCORRÊNCIA

QUANTIDADE

Maus tratos

18

Negligência

17

Violência Doméstica/Espancamento

15

Drogas e Delinqüência Juvenil

13

Abandono

06

Violação de Direito

04

Fonte: Conselho Tutelar de Bacabal

 

O que é o Crack

O crack é cinco vezes mais potente que a cocaína, também relativamente mais barata e acessível que outras drogas. A droga é preparada a partir da extração de uma substância alcaloide da planta Erythroxylon coca, encontrada na América Central e América do Sul. Chamada benzoilmetilecgonina, esse alcaloide é retirado das folhas da planta, dando origem a uma pasta: o sulfato de cocaína.

Tal substância faz com que a dopamina, responsável por provocar sensações de prazer, euforia e excitação, permaneça por mais tempo no organismo. Outra faceta da dopamina é a capacidade de provocar sintomas paranoicos, quando se encontra em altas concentrações.
Os danos à saúde provocados pela droga são enormes. Os neurônios vão sendo destruídos, e a memória, concentração e autocontrole são nitidamente prejudicados. Cerca de 30% dos usuários perdem a vida em um prazo de cinco anos - ou pela droga em si ou em consequência de seu uso (suicídio, envolvimento em brigas, “prestação de contas” com traficantes, comportamento de risco em busca da droga – como prostituição, etc.)
Perseguindo esse prazer, o indivíduo tende a utilizar a droga com maior frequência. Com o passar do tempo, o organismo vai ficando tolerante à substância, fazendo com que seja necessário o uso de quantidades maiores da droga para se obter os mesmos efeitos.

Conforme dados dos órgãos públicos de saúde, cerca de 600 mil pessoas são dependentes, somente no Brasil. 

Fonte: www.escolabrasil.com


 

Reportagem:

Maurício Azevedo – Bacharel em Comunicação Social – Jornalismo, pela Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), no período de 2002 a 2005.