24/03 - Produção Literária Bacabalense.

A Academia Bacabalense de Letras (ABL) completa 10 anos neste mês (24/03). Para comemorar a data, os imortais realizarão atividades culturais. Para os escritores locais, os altos custos para a publicação de um livro continuam sendo a principal barreira que impende o acesso do público à literatura regional.

De acordo com a responsável pela biblioteca da ABL, a escritora Aline Freitas, o mercado editorial bacabalense tem ainda muito a conquistar. “A sociedade, principalmente o poder público, precisa dar mais incentivo à literatura”, declara a escritora, que afirma que muitos autores regionais têm dificuldades para publicar suas obras.

 Para Raimundo Sérgio de Oliveira, de 86 anos, membro da ABL, publicar um livro realmente não é tarefa fácil. Por isso, ele não tem muitas preocupações com a forma e sim com a qualidade do material escrito. “Literatura é para quem gosta de escrever e para quem gosta de ler. Não importa como a obra será colocada à disposição do público, porque este, se realmente tem o hábito da leitura, vai ler sem focalizar a forma pela qual o trabalho é divulgado”, comenta.

 O funcionário da Câmara Legislativa de Bacabal, Lourival Elias de Sousa, não mediu esforços para realizar seu projeto. Ele bancou com recursos próprios o seu livro didático Caça-Palavras. Impresso em uma gráfica da cidade, mil exemplares da obra saíram por R$ 2.500,00. Caça-Palavras é um livro divertido, que procura despertar especialmente no leitor-mirim o interesse pela leitura.

 Já Jonival Cunha utiliza a internet para levar até o leitor suas obras. Filho do escritor codoense, Durval Cunha Santos, e irmão do jornalista e escritor Cunha Santos Filho, formado em Administração de Empresas e acadêmico do 7º Período do curso de Direito/UEMA/Bacabal, Jonival publicou três obras na internet. “Procurei a internet por causa da visualização nacional da obra e também pelas facilidades, porque o custo para publicação é infinitamente mais acessível do que o meio impresso”, relata. 

 Sem publicações

Aline Freitas é um exemplo de que a produção literária da cidade não chega aos leitores nem fica à disposição nas escolas e bibliotecas públicas. Formada em Letras e atualmente acadêmica do 2º Período do curso de Direito/UEMA/Bacabal, possui 19 livros escritos, mas nenhum publicado até agora. O exercício literário acaba se tornando um passatempo na vida da jovem de 27 anos, que começou a escrever a partir dos 12 anos de idade. “Escrevo porque gosto. Não tenho a intenção de publicar aquilo que escrevo. Obviamente, se existissem incentivos, seria bem melhor”, sustenta a escritora.

Pequenas Tiragens

O historiador e ex-vereador, Raimundo Sérgio de Oliveira, conta que costuma publicar sua produção por meio de pequenas tiragens, conforme o capital disponível para custear o trabalho. Mesmo assim, o escritor se sente realizado com a aceitação de suas obras. Prova disso, é o livro Bacabal de Sempre, leitura indispensável para alunos e professores da rede municipal de ensino, serviu de base para o livro sobre a história dos 50 anos do Armazém Paraíba, que teve sua primeira loja em Bacabal.

Escritor há mais de 50 anos, Raimundo Sérgio de Oliveira, publicou o primeiro jornal bacabalense, O Correio de Bacabal, que circulou na região durante boa parte da década de 1960. Além disso, foi vereador por três mandatos no município. Com sua experiência ao longo desses anos, ele explica que para ser escritor, a pessoa tem que ter aptidão, porque o retorno financeiro, muitas vezes, não existe. “O escritor não é propriamente um profissional no sentido restrito do termo e sim um vocacionado” destaca Raimundo Sérgio.

Autor de dezenas de poemas, contos e obras de cunho histórico, o seu livro mais conhecido é Bacabal de Sempre – Histórias de Bacabal. O livro retrata através de fatos marcantes e personagens de diversos setores sociais, Bacabal a partir de 1950, que foi quando o escritor passou a residir no município. Outra obra de sucesso do autor é Miscelânea. Nascido em Chapadinha-MA, o escritor declara-se um “apaixonado por Bacabal”. Atualmente escreve poesias evangélicas (Trova Divina, Porta Estreita, Supremo Convite, Só Jesus Cristo Salva, entre outras), e também poemas para datas comemorativas (aniversário de Bacabal, Dia Internacional da Mulher), além de manter uma produção em prosa sobre temas variados.

Como forma de baratear a produção, seus textos chegam aos leitores impressos em papel A4, redigidos por ele mesmo em máquina de datilografia, e depois repassado para o computador na própria gráfica responsável pela impressão.

 Academia Bacabalense de Letras

Fundada em 24 de março de 2001, a ABL completa 10 anos, mantida com recursos financeiros e trabalhos voluntários dos próprios membros. A academia possui 42 cadeiras, sendo que apenas 21 estão ocupadas. Como não possui sede própria, a ABL funciona em uma sala alugada no prédio da Associação Comercial.

Para a imortal da ABL, Aline Freitas, não só o mercado editorial bacabalense, mas o mercado maranhense em geral é carente de apoio à produção literária. “Quem quer seguir carreira, acaba deixando o estado partindo para grandes centros urbanos em busca de oportunidades mais sólidas. Posso até citar como exemplo o maranhense Ferreira Gullar, que hoje vive no Rio de Janeiro, por te encontrado lá apoio para aquilo que sabe fazer”, enfatiza.

 Oferecer Incentivos

Com escritores de qualidade e uma vasta produção escrita, Bacabal tem a missão de melhorar o apoio à literatura e outros tipos de produção textual. Isso é o que todos os escritores concordam. Porque o preço de uma publicação de um livro com tiragem de 1.000 exemplares, por mais simples que seja o material usado, não fica por menos de R$ 2 mil, valor com que poucos autores conseguem por conta própria arcar. Embora sejam praticamente barreiras instransponíveis, as dificuldades para a publicação não podem desestimular os escritores, que devem continuar em busca da realização de seus sonhos e manter a cultura sempre viva na memória do povo.

 Reportagem: Mauricio Azevedo