26/07 - Saberes tradicionais e pesquisa científica foram debatidos na 64ª SBPC.

Na tarde dessa quarta-feira (25), foi realizada a Mesa-Redonda Saberes Tradicionais e Pesquisa Científica - Desenvolvimento de Produtos e Processos para enfrentar a pobreza. Essa Mesa apresentou o assunto diretamente ligado ao tema da 64ª SBPC, que é Ciência, Cultura e Saberes Tradicionais para enfrentar a pobreza.

Na composição da Mesa estava Vanderlan da Silva, Química da Universidade Estadual de São Paulo (UNESP); Alfredo Wagner Berno de Almeida, pesquisador e antropólogo da Universidade Estadual do Amazonas (UEA) e Lúcia Fernanda Inácio Belfort, advogada e mestra em direito pela Universidade de Brasília (UnB) e é diretora-executiva do Instituto Indígena Brasileiro para Propriedade Intelectual (Inbrapi). A coordenação ficou com Rute Maria Gonçalves de Andrade, secretária-geral da SBPC e pesquisadora científica do Laboratório de Imunoquímica do Instituto Butantan.

Todos os participantes da mesa-redonda foram unânimes em considerar o assunto ousado, polêmico, mas de extrema necessidade para o cenário atual do Brasil.

Quem primeiro partiu para a discussão foi Vanderlan da Silva, que desenvolve pesquisa com plantas. Ela falou que os saberes tradicionais, sem dúvida, são fontes valiosas de investigação científica. Ressaltou a importância das plantas na composição de medicamentos e disse que, antes de muitas plantas serem pesquisadas cientificamente, já eram utilizadas há anos por comunidades indígenas, por exemplo.

“O conhecimento tradicional é uma ferramenta útil de pesquisa, principalmente para desenvolvimento tecnológico. Muitas plantas são utilizadas por comunidades das florestas e os efeitos delas chamam a atenção dos pesquisadores que vão em busca de seus valores agregados”, destaca.

Vanderlan deu exemplos de medicamentos já patenteados e de extrema importância medicinal, como a morfina, que segundo ela, antes de ser industrializada, já era utilizada por grupos nativos.

Para o pesquisador Alfredo Wagner Berno de Almeida, há alguns anos, quem propunha as discussões sobre a proteção e valorização dos saberes tradicionais eram os movimentos de defesa de povos nativos, um exemplo disso foi o Encontro de Pajés e Representantes de Povos Indígenas de todo o país, que se reuniram no Maranhão em 2001, para reivindicar a proteção dos recursos genéticos existentes em suas terras e dos conhecimentos tradicionais a eles associados. Hoje, 11 anos depois, é possível perceber os avanços já conquistados nessa área, trazendo, inclusive, para a comunidade acadêmica esse debate.

“Desde que os saberes tradicionais passaram a ter valor genético e econômico, começou a haver a valorização desses conhecimentos dentro da universidade e isso é muito importante para o enriquecimento da pesquisa em nosso país”, destaca.