22/08 - Uso do celular ao volante eleva, em quatro vezes, as chances de acidentes no trânsito.

Pressa, necessidade... Há sempre algum motorista que tente justificar o uso do celular quando está conduzindo um veículo. Mas, é lei: o artigo nº 252 do Código de Trânsito Brasileiro (CTB) – Lei nº 9.503 – determina que o condutor deva retirar a mão do volante somente para mudar a marcha ou acessar algum acessório que está no painel. Além disso, a lei é bem clara e proíbe o uso de fones nos ouvidos conectados a aparelhagem sonora ou telefone celular. A infração custa, em média, R$ 85,13 e rende quatro pontos na Carteira de Nacional de Habilitação (CNH).

Um estudo da Associação Brasileira de Medicina de Tráfego (Abramet) aponta que esse tipo de atitude ao volante eleva em quatro vezes as chances de acidentes no trânsito. Levando de quatro a cinco segundos para fazer o contato com um aparelho móvel – seja em uma chamada telefônica, acessando a internet ou enviando uma mensagem de texto (SMS, de Short Message Service) –, com o carro a 100 km/h, o motorista terá percorrido 120 metros sem a visão frontal e pode ser surpreendido. Com o objetivo de ajudar a reduzir o número de acidentes causado pela imprudência dos motoristas, a Abramet lançou uma campanha, em que recomenda os motoristas a desligar o aparelho ou colocá-lo no modo silencioso.

O psicólogo e integrante da Associação de Médicos e Psicólogos-peritos de Trânsito (Assotran), Joaquim Pinheiro Filho, explica que a resistência dos motoristas ainda se dá pela falta de fiscalização dos órgãos de trânsito. "A resistência, ainda, é pela falta de educação e pela falta de fiscalização. Nós não criamos cultura de cumprir as leis por ser algo que vai beneficiar a todos. Então, somos tendenciosos a cumprir somente quando estamos sendo fiscalizados", disse em entrevista ao Imirante na manhã desta quarta-feira (22).

O especialista reforça que o uso do recurso de viva-voz, sistemas de telefonia inteligente que deixam as mãos livres, sistema de posicionamento global (GPS, do inglês Global Positioning System) ou de aparelhos de televisão portátil, também, apresentam igualmente risco aos condutores, porque tiram a atenção dos motoristas.

Custos à saúde pública

De acordo com Joaquim Pinheiro Filho, são grandes os custos de acidentes de trânsito. Para tentar reduzir os acidentes de trânsito no Maranhão, recursos do governo federal já foram repassados e um comitê será criado para elaborar medidas para o cumprimento da meta. "A Secretaria de Estado da Saúde (SES) e o Ministério da Saúde já estão preocupados com o alto custo provocado pelos acidentes de trânsito, que nós estamos criando um comitê institucional para trabalhar o trânsito em São Luís. O Ministério da Saúde enviou recursos, R$ 250 mil para o Estado e R$ 250 mil para o município, para que a gente faça um trabalho, em parceria, para diminuir esse número tão elevado de acidentes e de óbitos. Em média, metade dos leitos de hospitais de urgência e emergência estão ocupados com pessoas envolvidas em acidentes de trânsito, principalmente com moto. Em média, um acidentado custa R$ 35 mil por mês para o hospital. E é a própria população que paga", explica.

Fiscalização e recomendações

O psicólogo defende um trabalho conjunto entre governo e sociedade para a diminuição dos índices. "A Assotran defende uma parceria com os órgãos de trânsito, de fiscalização, conselhos de medicina, sindicatos de mototaxistas, motofretistas e taxistas, para que se faça um trabalho em conjunto, porque o governo não vai resolver o problema sozinho. Se não houver uma participação da sociedade como um todo, vai virar um caos. A associação recomenda que as pessoas procurem respeitar as leis de trânsito e, também, respeitar os limites de velocidade. Nós sabemos que a maioria dos acidentes acontece devido ao excesso de velocidade", declara.

Entre 18 e 25 de setembro, ocorre a "Semana Nacional de Trânsito", realizado pelo Conselho Nacional de Trânsito (Contran) em parceria com órgãos estaduais e municipais de trânsito. Nesta edição, a semana terá como tema "Década mundial de ações para a segurança do trânsito – 2011/2020: não exceda a velocidade, preserve a vida".