21/01 - Raça Bomba no Maranhão' vence Festival de Música Carnavalesca.

A música "Raça Bomba no Maranhão", interpretada por Célia Sampaio e escrita pela turismóloga Geyza Ribeiro, venceu o prêmio de melhor letra e música e faturou R$ 15.000,00 no Festival de Música Carnavalesca, realizado na noite de sábado (19), no Ceprama, em São Luís. A música ainda garantiu à cantora o prêmio de melhor intérprete, no valor de R$ 4.000,00.

Emocionada, Geyza revelou, em entrevista à imprensa, que não esperava vencer o festival. "Costumo compor algumas músicas para o bloco de carnaval do meu bairro e fiz essa, mas nunca imaginei vencer. Não consigo nem dizer o que estou sentindo", disse.

Melhor intérprete, Célia contou que conheceu Geyza por meio de uma amiga em comum que indicou a cantora para a interpreção. Atuante na música maranhense desde os anos 80 com trabalhos pelas bandas de reggae Afro Akomabu e Guetos, e do CD solo "Diferencial" lançado em 2000, ela, que também é técnica em enfermagem, disse que vai investir o dinheiro nos estudos.

Compositora Geyza Arruda abraça cantora Célia Sampaio (Foto: Reprodução/TV Mirante)Compositora Geyza Arruda abraça cantora Célia
Sampaio (Foto: Reprodução/TV Mirante)

"Tô muito feliz, emocionada. Não tenho palavras. Eu não esperava. Pra mim, só participar do show, do CD do festival, já estava de bom tamanho. Com o prêmio, a felicidade ficou completa", declarou.

A segunda melhor letra e música do festival ficou com Louco de Saudade, de Ronald Pinheiro, interpretada por Albert Abrantes. O segundo lugar também recebeu premiação em dinheiro, no valor de R$ 6.000,00.

Confira e letra de "Raça Bomba no Maranhão":

Na Ilha
Sangue negro rola
Nessa escola
Entra na roda para pungar

Em fevereiro
Só alegria vai bombar
De onde vem essa onda, amor?
É a Gira, é Oxóssi, é Xangô

(Refrão)
É d'Oxum, é d'Oxalá
É a Bomba na avenida

Força negra vem mostrar
É d'Oxum, é d'Oxalá
Índio, branco e japa dança
Em São Luís do Mará

Visão de fora

Perfeito Fortuna assiste a shows de música carnavalesca em São Luís (Foto: Reprodução/TV Mirante)Perfeito Fortuna assiste a shows em São Luís
(Foto: Reprodução/TV Mirante)

Entre os jurados, estava o fundador do Circo Voador do Rio de Janeiro, Perfeito Fortuna. Em entrevista ao G1, ele enfatizou a qualidade do festival e falor sobre um possível "isolamento cultural do Maranhão".

"Nunca tinha vindo aqui ver o carnaval. É uma variedade rica em ritmos, uma qualidade percussiva impressionante. Uma riqueza que vive isolada. Por exemplo, o São João daqui é o mais elegante do país, mais variado, mas pouca gente conhece. Esse isolamento talvez seja bom porque preserva a cultura, que está enraizada, firmada. Na Bahia, por exemplo, o carnaval virou negócio", comparou.

Para Perfeito, o cancelamento da Passarela do Samba e do desfile das escolas locais tem lado bom e ruim. "Houve um tempo, mais ou menos na época da ditadura, que o Brasil virou imitação do Rio de Janeiro. É o carnaval do espetáculo, pra assistir. Mas tem também os blocos de rua, onde o pessoal brinca, onde todo mundo é protagonista, se diverte. O interessante é pegar o que é genuíno e desenvolver, mas eu acho que deixar de ter algo que tem sempre teve não é legal para a tradição", declarou.

Apresentações
Os shows dos 12 finalistas começaram por volta de 21h45. O primeiro a subir ao palco foi Glendel e As Sirigaitas, com a música Estandarte Bandeira, de Nosly; seguido de Zezinho e Kauê Velôso, com O Café da Vovó, de autoria do próprio Zezinho. A terceira apresentação da noite foi de Chico Franco, com Flor de Carnaval, também de autoria própria.

O quarto a entrar no palco foi Manuel Baião de Dois, com Litorando da Litorânea, de Alex Brasil e Zé Lopes. O sexto a se apresentar foi Kosta Netto, com Beijo de Carnaval, de Paul Gettys; seguidos de Boscotô com Maykjú, de autoria própria em parceria com Alvinho; Louco de Saudade, com Albert Abranches, de Ronald Pinheiro; Gerude, Joana Gerude e João Pedro Gerude com Manequim, de Gerude; Raça Bomba no Maranhão, com Célia Sampaio, de Geyza Ribeiro; e Marco Duailibe com Cacique Carnaval, autoria própria em parceria com Henrique Duailibe.

Após as apresentações, o Grupo Os Foliões se encarregou de animar o público enquanto os votos eram contabilizados. O júri foi formado por seis jurados, entre jornalistas, especialistas e personalidades da cultura local. Eles avaliaram os finalistas com notas que variavam de 5 a 10. Depois do anúncio dos vencedores, por volta de 23h30, a diversão ficou por conta do Bicho Terra.