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Sábado, 27 Fevereiro 2021 00:03

CRÔNICA CARNICEIRA - 3ª ETAPA | URUBUS NA CARNIÇA: HOMENS E PODER Destaque

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Urubus em Bacabal Urubus em Bacabal Costa Filho

O dilema do caminho foi resolvido. Os urubus ficaram na sua carniça e eu segui meu percurso. Nesse trajeto, homens e urubus foram confrontados em sua utilidade e atitudes. Os urubus se mostraram bem notórios, enquanto os homens...

Surgiam ali novas cogitações, e o tema, já inevitável, ganhava asas para uma terceira etapa considerativa, agora entre urubus e políticos. Planava no ar não apenas uma cena de passagem no caminho ou conceitos comparativos, mas, um caso real e sério: a política e suas ramificações como o poder, o dinheiro, as vantagens, as moedas de troca, os subornos, os pactos, enfim, a corrupção e a hipocrisia.

“Ah, mas a política já passou!”, diria algum leitor desatento. Contudo, o bom leitor sabe que política nunca passa, que a boa política produz resultados benéficos, enquanto a politicagem, gera frutos nocivos. Assim, tais fatores não podem ficar isentos da análise e do questionamento popular e cidadão, afinal, o homem é político por sua natureza. Então continuemos com os urubus na carniça. E quem são os urubus? E a carniça? Ora, tudo muito óbvio. Ao observarmos as campanhas eleitorais, vemos na busca ferrenha pelo voto, uma cena semelhante à dos urubus na carniça. A bem da verdade vai além dos carnívoros. Os candidatos, literalmente, correm atrás dos eleitores nas periferias e lugares de difícil acesso, num puxa-puxa desenfreado e carniceiro. Para isso usam as garras típicas da espécie “homo politicus”, fazendo promessas, oferecendo vantagens, comprando votos, mentindo, enganando, chantageando, etc. Nessa luta, o que mais interessa é, obviamente, o voto, o passaporte para se galgar um cargo político, com o discurso ao bem social, quando na verdade é ao bem particular e do bando.

Nessa cena carniceira, por mais que não queiramos sê-la, a carniça somos nós, os eleitores, e nossa validade termina no mesmo dia da eleição. Então, a carniça volta a ser simplesmente gente, ou a palavra ganha um novo significado: gente-carniça ou gentinha. Quanto aos eleitos, esses passam, em sua maioria a ser verdadeiros reis-leões, levando consigo o rei na barriga. Apesar de a cena dos “urubus na carniça” ser bem característica do período eleitoral, a metáfora se enraíza para uma situação após a vitória. O próximo passo de mutação da carniça é que ela passa a ser o poder, as vantagens, as benesses, as trocas de favores, a corrupção, enfim, essas coisas que fazem da política uma carniça e uma carnificina social. Então vêm os acertos: quem será o líder? Quem ficará do lado do poder? Quem ficará do lado do povo? Quem receberá cargo A ou B? Quem será contratado? Quem será demitido? Quem será perseguido? Quem serão os fornecedores e licitatórios? Quem sobe e quem desce? Quem vai planar pelos ares do poder ou rastejar a amargura de ter votado contra o sistema?  

No cenário de homens e urubus, já transposto o caminho, conquistada a carniça, um cargo eletivo, uma função pública, é necessário acompanhar os representantes e, sobretudo, que esses cumpram seu papel com compromisso e hombridade. Negligenciar os deveres de um político eleito, é negar o direito do cidadão. O pós-eleição é uma luta importantíssima para a qual devemos marchar, visando a concretização legítima e transparência nas políticas públicas da saúde, educação, cultura, economia, infraestrutura, meio ambiente, agricultura, entre outros setores da sociedade que precisam tocar em frente seus projetos e ações em benefício do bem comum.

E pauso novamente para uma pergunta pertinente: Diante de fatos dessa espécie o que os “Cathartidae” acham do “Homo sapiens”? E do “Homo politicus”?

[Aguardem a 4ª e última etapa].

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Lido 543 vezes Última modificação em Sábado, 27 Fevereiro 2021 00:20
Edgar Moreno

SOBRE O AUTOR DA COLUNA

Edgar Moreno é cronista e escritor bacabalense, heterônimo do poeta Costa Filho, membro da Academia Bacabalense de Letras. Em abril, estreou com a coluna “Cronicando...” no site Cuxá. Escreveu ou escreve em outros jornais e sites, publicando eventualmente em suas redes sociais.

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