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Sexta, 05 Março 2021 14:36

CRÔNICA CARNICEIRA — 4ª ETAPA - SOMOS TODOS URUBUS: QUEM ESCAPA? Destaque

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Urubus no mato Urubus no mato Jobacosf

 

Diante desse cenário carniceiro, com urubus no caminho, conceitos e comparações entre os “Cathartidae”, “Homo sapiens” e “Homo politicus”, pode-se considerar ainda, na última etapa desta crônica carniceira, que todos nós somos urubus, fomos urubus ou seremos urubus. E mais que isso, precisamos aprender a conviver com a espécie, ou melhor dizendo, conviver conosco, pois eles convivem muito bem. Contudo, uma coisa é certa: de modo literal ou metafórico, ninguém escapa da influência urubua, seja na infância, na maturidade ou na velhice; em casa ou na rua; no trabalho ou no lazer; na política ou no estádio. Somos todos urubus. Não quero dizer com isso que somos todos flamenguistas. E nem é bom meter time nessa história, pois já aí mexeria com porco, gavião, galo, peixe, leão, raposa, um zoológico.

Times à parte, no final, somos todos urubus, seja na maneira de agir na vida, de tratar os outros ou ser tratado. E aí já entram aqueles conceitos associados a essas aves pretas e agourentas. É desse jeitinho que todos nós vamos praticando o verbo urubuzar. E não adianta negar: eu urubuzo, tu urubuzas, ele urubuza, nós urubuzamos, vos urubuzais, eles urubuzam, todos urubuzam. E quem acha que não urubuza ou não é urubuzado, é um urubu mentiroso e pode vir a urubuzar ou urubuááááá por conta do comportamento urubu de alguém. Se não somos urubus, seremos carniça. Um ou outro, todo mundo é, quando não os dois. E como é ser urubu? E como é ser carniça?

Quem nunca foi insultado de “urubu” por ser negro ou visto como azarento? Quem nunca xingou alguém de “urubu” para atingi-lo e depreciá-lo? Quem nunca ouviu aquele berro “urubu” com gosto de afronta e discriminação?  E tem aquelas frases do tipo: “Nego urubu!”, “Uma carniça dessa!”, “Comeu sopa de urubu?”, “Já tive um dia urubu e ainda me vem essa carniça.”, “Praga de urubu magro, não pega em cavalo gordo”.

Contudo, entre urubus e carniça, nem tudo é fedor ou feiura. A intenção e o tom das palavras podem ser o grande problema. Assim, comparar alguém com urubu pode ser positivo, quando se sabe as qualidades dessas aves. Ser chamado “urubu” pode significar pessoa higiênica, observadora, mansa, amante da liberdade, gente de boa convivência e fidelidade. O difícil é convencer.

Portanto, é prudente saber lidar com tais situações. E um exemplo curioso de superação foi o próprio urubu como símbolo do Flamengo. Não que eu insista em relembrar meu clube, é que o fato é pertinente. Ei-lo, pois: o termo “urubu” era usado para ofender a torcida rubro-negra com provocações racistas. Então, às vésperas de um jogo contra o Botafogo, nos anos 60, uns torcedores capturaram um urubu no lixão do Caju e o levaram a um apartamento no Leblon, onde foi “preparado” para sua missão no clássico do dia seguinte. Quando o Flamengo entrou em campo, o urubu foi solto nas arquibancadas envolto numa bandeira. A ave voou sob aplausos e, para delírio dos 150 mil torcedores, pousou no meio do campo. Estava batizado o mascote rubro-negro, ressignificando de vez o termo no mundo futebolístico.

Se nada disso tocou o meu leitor, peço-lhe que sente à sombra e contemplar o voo dos urubus por entre as nuvens. Nada mais belo! Contudo, é inegável que esse voo com os urubus, muito nos ensinou e muito a aprendermos. Nada impossível, afinal, como disse Mário Quintana: “A esperança é um urubu pintado de verde”.

 Por aqui findo, com uma questão duvidosa: O homem já não se importaria ser chamado “urubu”, mas, e os urubus, se importariam serem chamados de “homens”?

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(Edgar Moreno, heterônimo de Costa Filho, membro da Academia Bacabalense de Letras) 

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Lido 326 vezes Última modificação em Sábado, 06 Março 2021 11:54
Edgar Moreno

SOBRE O AUTOR DA COLUNA

Edgar Moreno é cronista e escritor bacabalense, heterônimo do poeta Costa Filho, membro da Academia Bacabalense de Letras. Em abril, estreou com a coluna “Cronicando...” no site Cuxá. Escreveu ou escreve em outros jornais e sites, publicando eventualmente em suas redes sociais.

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