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Sexta, 01 Mai 2020 22:14

“Outro caminho” de João Mohana: um passeio pelo vale de lágrimas

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Comemora-se nesta data, além do dia do trabalhador, o dia da Literatura Brasileira.  Saudemos, pois, os trabalhadores da escrita, que labutam, dia após dia, com a vida empírica e ficcional. Um desses grandes trabalhadores chama-se João Mohana. Nasceu em Bacabal no ano de 1925 e por aqui permaneceu até seguir para os estudos secundários na cidade de São Luis-MA. Exerceu as funções de padre, médico e escritor, dedicando-se com afinco a primeira.Mohana escreveu um romance que ganhou o prêmio Coelho Neto da Academia Brasileira de Letras. Sua obra, intitulada “O outro caminho”, apresenta as memórias do personagem padre Eyder, um homem que se tornou padre em dezembro de 1907, e passou pelas paróquias de Viana-MA e Coroatá-MA pelos idos de 1925 a 1930. O sacerdócio lhe parecia uma imposição de sua amada mãe, que desejara ter um filho padre. Ela construía através de atos e palavras o sacerdócio, e arquitetava algumas visões em sua mente, sobre as pessoas dirigirem-se a Eyder depois de ordenado: “sua benção, pe. Eyder, quero me confessar, pe. Eyder”.

Ele se imaginava em sua infância um chofer, mas não padre. A sua meninice fora regada pelas imagens da busca incessante de Maria Sargenta a correr pelas ruas em busca da filha levada pelo rio; pelas brincadeiras com o irmão Neco; as molecagens de menino do interior; e as promessas de sua mãe a Santa Teresa, a fim de que fosse um bom sacerdote.

É nesse contexto que a linguagem da obra é recheada de floreios poéticos, quase “afagos”, tendo em vista que pe. Eyder fortalece o espírito na observação dos pássaros, da natureza e das declinações do dia, além das demonstrações de afeto aos seus pais e ao irmão Neco. Seus relatos são marcados também pela observação dos espaços da ilha de São Luis-MA, a viagem no vapor “Barão”, que o conduzira rumo ao sacerdócio, e os espaços de Viana-MA e Coroatá-MA, em que exerceu a função de pároco.

O protagonista vivenciou um vale de lágrimas em sua existência, um “simbolismo de lágrimas”, como descreveu ao passear novamente por suas memórias, porque o sacerdócio fora uma cruz muito pesada, repleta de adversidades. A sua emoção tonalizou a obra e cadenciou o ritmo de cada lágrima sentida. Em meio a todo esse torpor que padre Eyder vivenciou “outro caminho”.

Dito isso, me cabe destacar que a cidade de Bacabal teve a honra de acolher por um período mínimo padre Mohana (1925-1995), um grande literato de seu tempo, e porque não do nosso, embora esteja esquecido nas prateleiras dos sebos literários. As suas palavras continuam a ecoar pelas mentes de uma ou outra alma vivente, e nunca morrem, dado que revelam “O outro caminho” da literatura e novos caminhos para leituras possíveis a respeito de suas outras obras.

 

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Lido 474 vezes Última modificação em Domingo, 17 Mai 2020 17:33

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