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Quinta, 14 Mai 2020 14:35

Metamorfoses da vida, ausências sentidas, ideias para adiar o fim: o que fazer diante de nossas certezas perdidas?

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A vida é tecida de incertezas. Custamos a entender isso. E a nossa mania de acreditar que somos os grandes donos do amanhã, nos faz desenrolar esses novelos apegados aos fios de nossas certezas, mas eles são tão frágeis. Não somos culpados por isso. Para sobreviver, precisamos desenrolá-los atracando a âncora de nossa existência em algum porto. Esse porto é o Amanhã. É o planejamento para a semana, para o mês, para o ano, com o estimado dinheiro, é claro.

E então nossas certezas se perderam, os planejamentos correram soltos, se esfarelaram na forte tempestade da Covid-19, e nós passamos a sentir o que Ney Matogrosso interpreta na canção “Poema”: “De repente a gente vê que perdeu/ ou está perdendo alguma coisa morna e ingênua/ que vai ficando no caminho        que é escuro e frio, mas também bonito/ porque é iluminado pela beleza do que aconteceu há minutos atrás”.

Essa “coisa” perdida são as nossas certezas, tão “mornas e ingênuas”... mas, veja só, algo delas ficou no caminho escuro e frio. Que caminho é esse? É a nossa vida. Ela transita entre o doce e o amargo. Guimarães Rosa, em seu magnífico romance Grande Sertão: veredas, diz que ela – a vida – é assim, aperta e afrouxa, sossega e desinquieta, mas o que ela quer da gente é CORAGEM.

Temos que ter coragem para seguir nesse caminho. Sabe quando dizem por aí que temos dançar conforme a música? Pois é, na verdade temos que caminhar de acordo com o que a vida nos apresenta e oferece. É um grande desafio. O primeiro talvez, – pois há vários deles no curso de nossa trajetória –, seria passar por uma metamorfose, tal qual a borboleta quando sai de seu casulo para experimentar todos os ares da natureza.

A metamorfose, de Franz Kafka, é um grande auxílio para dar início a essa empreitada. Na obra, o protagonista Gregor Samsa, sem causa aparente, transforma-se em um inseto que causa asco e nojo em todos de sua família que, por sua vez, não compreendem o momento difícil pelo qual o pobre homem está passando. E Samsa segue a vida pensando somente em como ajudá-los, pois não se encontram bem financeiramente. Esse pequeno resumo é apenas para ilustrar que a vida sempre nos pega de surpresa, podendo nos transformar em “insetos”, nunca se sabe. Amplie os horizontes da metáfora na leitura. Vale à pena.

Estejamos prontos para a vinda das metamorfoses, elas nos indicam que, assim como a vida, precisamos mudar, novos portos nos esperam.  Vestidos de CORAGEM, e abastecidos de bons LIVROS, pode ser que amenizemos uma provável iminência do “fim”. Refiro-me ao “fim”, pois tudo que estamos vivenciando durante o confinamento social nos faz ter esse pensamento, de que a qualquer momento o mundo pode acabar.

Fortaleçamos a nossa “imunidade” interior na companhia de nossos familiares em confinamento conosco, de bons livros, boas conversas, e de músicas que aqueçam o nosso coração. A Covid-19 é um inimigo invisível que nos ensina a lutar contra ele pensando a vida como uma “Metamorfose”, na qual, após o confinamento, sairemos do casulo de nossas residências, não mais “larvas” ou “insetos”, mas sim, lindas borboletas dançando pelo caminho da vida um novo ciclo da existência. 

 

 

 

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Lido 400 vezes Última modificação em Sábado, 16 Mai 2020 14:38

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