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Sexta, 22 Mai 2020 12:47

A narrativa da morte

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Nos últimos dias, observa-se uma disputa política para afirmar a eficácia de um remédio. Se você acreditar na palavra do seu ídolo, é o suficiente para tomar ou deixar de tomá-lo.

Essa degradação toda se expande na pós-verdade, na qual o fato é fato a depender da conveniência. Como assim? Imagine um prato de arroz. Maria afirma: "esse arroz é ruim"; e Pedrinho diz ser bom. O fato é que aquilo sobre o prato é indiscutivelmente arroz e, portanto, não caberia fazer juízo de valor nessa circunstância. Na pós-verdade, no entanto, discute-se não se é bom ou ruim, mas se é arroz ou não.

Nos tempos em que vivemos, fatos científicos ou fenômenos facilmente observáveis dependem da narrativa política. A eficácia de um medicamento, que deveria ser condicionada a estudos rigorosos, torna-se objeto de políticos palpiteiros.

Para a sociedade, os efeitos disso são catastróficos, pois é conduzida a partir de falsas visões de mundo, baseadas em afirmações estapafúrdias do ponto de vista científico e até mesmo ético. Além disso, os danos para o debate público são de morte. Nunca é saudável e tão pouco há entendimento. Se fosse verdade que "passar fome no Brasil é uma mentira" – pressuposto do qual parte o Presidente Jair Bolsonaro, não haveria discussão sobre soluções, porque a sua tese, ao contrário, baliza para a existência ou não da problemática (COMPROVADAMENTE existente). Obviamente essa posição é mais confortável: se não existe, não preciso me preocupar com isso.

Dessa maneira, a humanidade, que possui tantos impasses a serem superados – seja a desigualdade, a fome, a miséria, a crise ambiental –, perde-se em teorias da conspiração. E o pior é que há um agravante, especialmente para os brasileiros: a baixa escolarização, que dificulta uma posição crítica diante dos objetos. Por lógica, nos tornamos uma vítima maior do canto da sereia. Certamente há uns que, possuindo formação, continuam negando o mínimo razoável. A esses chamamos de desonestos intelectuais.

Em suma, na ambiência desses ruídos, não iremos avançar. A sociedade, destarte, deve repactuar valores civilizacionais mínimos para que daqui não se afunde mais na barbárie. O respeito à ciência, à Constituição Federal, à imprensa profissional e às outras instituições fundamentais para o convívio democrático e republicano deve ser preservado – o que implica na manutenção da sua existência e autonomia, não na ausência de críticas, pois elas são parte desse processo de fortalecimento.

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Lido 461 vezes Última modificação em Sexta, 22 Mai 2020 13:07
João Carlos Lima

Bacharelando em Direito pela Universidade Estadual do Maranhão e fundador do Movimento Bacabal Novo. 

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