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Quarta, 27 Mai 2020 17:36

UMA CRÔNICA SITUAÇÃO QUE É DA CONTA DE TODOS Destaque

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Pandemia: um assunto da conta de todos Pandemia: um assunto da conta de todos Costa Filho

Diante dum quadro pandêmico e antagônico em ideologias e atitudes, por mais que não queiramos, é praticamente impossível não meter o nariz na proa desse barco, onde estamos todos nós, à deriva do medo e da morte iminente.

Esses dias, por necessidade real, tive que sair ao centro de nossa Bacabal e pude constatar "in loco", e, sobretudo pelas redes sociais, que o bacabalense, tido como gente hospitaleira, alegre e trabalhadora, ganha mais um título, o da teimosia.

É impressionante o quantitativo de pessoas que se aglomeram, principalmente nas portas de bancos e lotéricas para sacar o auxílio emergencial de R$ 600,00. Apesar de a maioria estar de máscaras (sem meter aqui o fator higienização desses lenços), essas pessoas continuam mascaradas de consciência, e, pior, cegas para o perigo desta crônica situação que é da conta de todos. Num momento em que o distanciamento social é fator imprescindível e básico para evitar a disseminação do Coronavírus, a distância zero entre os beneficiários dentro e fora das agências bancárias se torna o grande vilão para a contágio de centenas de bacabalenses num mesmo lugar e duma só vez. Como efeito dominó, vem o colapso social, principalmente nos hospitais, cujas condições de atendimento já se sabe.

Mas não são apenas essas necessitadas pessoas que precisam tirar dos olhos a venda da teimosia e da inconsciência. Os estabelecimentos e os poderes constituídos, devem, por obrigação de ofício, considerarem de perto essa situação grotesca. Trata-se de um problema social, em que cada um precisa agir de forma positiva. Na verdade, esses órgãos são cônscios de que precisavam ter se preparado, pois com a liberação do auxílio, a aglomeração não seria uma mera possibilidade, mas um esperado fato. As Medidas e Orientações do governo federal são gerais, cabendo a cada jurisdição, seja estadual, municipal, institucional ou familiar, intervir nas necessidades locais.

Mas em toda essa parafernália, quem é o culpado? O que poderia ser feito para minimizar o problema? Não me convém aqui apontar culpados, a verdade é que o problema existe e precisa ser resolvido. É oportuno lembrar que cada pessoa física ou jurídica, no patamar de pessoa, beneficiário, órgão ou governo, tem cada um, seus deveres e também sua consciência.

E por que as pessoas saem de casa para os bancos e lotéricas, para o mercado ou calçadão, por exemplo? Vamos entender um pouco dessa particularidade pessoal, quando nos colocamos no lugar de cada um desses “teimosos”, deixando nossa empatia também dar sua opinião. Evidentemente que muitos dos “teimosos” saem por sair, mas nem todos são da mesma opinião e natureza. Cada qual com seus motivos, embora nem sempre justificáveis. Sem querer aqui ser avesso ao isolamento social, por trás de toda essa muvuca ou teimosia, como queiram, há algo chamado “necessidade”, que se traduz em parte por um sintoma estomacal conhecido por “fome”. Esse sintoma, que afeta humanos, animais e até plantas, precisa necessariamente ser curado ao menos a cada 24 horas, repetindo-se o ciclo, por ser um vírus permanente e natural. Para quem esse sintoma não representa problema, pelo fato de ter emprego fixo (mas não garantido), salário na conta ou alguma reserva financeira, é cômodo e até compreensível eloquir a imperativa frase “Fique em casa.” Contudo há o outro lado da moeda, e isso não pode ser ignorado. Com efeito, o auxílio emergencial é uma quantia presumível que, sendo aplicada em itens básicos de alimentação dá para ir sustentando uma família pequena por alguns bons dias, o que teoricamente levaria essa família a ficar em casa. Mas não é bem isso o que de fato acontece. E o dilema surge a partir da necessidade de saque desse benefício. É aí que bancos e lotéricas ficam lotados. Assim sendo, essas instituições precisam se programar e executar uma forma mais prática e saudável de atendimento ao seu público. Em tempos de pandemia, a lei maior é a do bom senso: cada um cuidando do seu público.      

Não precisaríamos ver cenas assim e corrermos sérios risco, se tais instituições demarcassem formalmente o distanciamento requerido de dois metros através da sombra nas calçadas, e os beneficiários assim o cumprissem, levando sua sombrinha ou guarda-chuva para evitar a agonia meteorológica da chuva e do sol queimante. É sabido que a Vigilância Sanitária e essas instituições fariam uma reunião para traçarem estratégias de solução ao problema. Como não tenho saído, não sei o resultado prático, se o problema foi solucionado ou se persiste. 

O município, por sua vez, poderia manter equipes treinadas, distribuindo máscaras e álcool-gel e muita orientação por outdoor, volante, etc., protegendo de perto seus munícipes. Mais a grande imprensa já divulga isso toda hora, diriam alguns. E eu cá, respondo: uma coisa é o público ouvir todo dia na tevê sobre os riscos do vírus, outra coisa são as pessoas se depararem em seu trajeto com ações reais de prevenção ao contágio da doença. E de onde viriam essas máscaras? Através da licitação e cooperativismo transparente entre as malharias da cidade, inclusive alcançando à demanda de costureiras domésticas existentes na cidade, ajudando-as a ficarem em casa e a garantirem alguma renda. Os presidiários também poderiam servir de mão-de-obra. Mas de onde viria a verba? Dos repasses federais destinados ao município. A título de lembrança, estados e municípios estão recebendo verbas exclusivas para ações de combate ao Coronavírus. Com Bacabal não é diferente, os repasses já contabilizam quase 2 milhões de reais. Então, falta de dinheiro não é.

Nesse sentido, o poder público municipal começou na terça-feira a higienização de logradouros públicos. Ações como essa, efetivamente, são de suma relevância numa cidade teimosa e com mais de 100 mil habitantes. Entretanto, implementações de outras ações é indispensável para a contenção da covid-19 nessa guerra silenciosa que traz clamor a todo o mundo. Nesse momento de crise, os poderes constituídos não podem se furtar de seus ofícios e atribuições representativas. Por isso, é hora de os vereadores saírem de sua redoma de isolamento popular, e legislarem, mesmo em sessão-conferência, com boas ideias nesse período difícil, cumprindo seu papel de fiscais do povo e cooperando contra a pandemia, que entre nós já são oito casos confirmados.    

  É hora de todos os poderes operarem, além das leis, em benefício da população e em combate à ameaça do vírus entre nós. É hora, enfim, de todos, indistintamente, redobrarem cuidados e colaborarem para a minimização desse problema mundial, mas de responsabilidade de todos e de cada um. 

A pandemia vai passar, e o que é mais precioso precisa continuar conosco: a vida.

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 (Crônicas de momento, Edgar Moreno, 22.04.2020)

#Pandemia #Coronavírus #Crônicas de #EdegarMoreno e #CostaFilho

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Lido 220 vezes Última modificação em Quarta, 27 Mai 2020 18:00
Edgar Moreno

SOBRE O AUTOR DA COLUNA

Edgar Moreno é cronista e escritor bacabalense, heterônimo do poeta Costa Filho, membro da Academia Bacabalense de Letras. Em abril, estreou com a coluna “Cronicando...” no site Cuxá. Escreveu ou escreve em outros jornais e sites, publicando eventualmente em suas redes sociais.

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