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Quarta, 15 Julho 2020 00:49

RUA 14 DE JULHO - A ORIGEM DE UM NOME Destaque

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Rua 14 de Julho ()Rua das Três) X Historiador Raimundo Sérgio Rua 14 de Julho ()Rua das Três) X Historiador Raimundo Sérgio Costa Filho

 Em conversa com Raimundo Sérgio de Oliveira, um ícone da nossa história, a quem estudantes e curiosos recorriam quando o tema era a história de Bacabal, o poeta trovador contou uma narrativa curiosa: a origem do nome da Rua 14 de Julho, a conhecida Rua das Três, que alude a três irmãs que ali moravam e ganhavam a vida na zona meretrícia.

O poeta, meu coirmão da Academia Bacabalense de Letras, todo humorado e bem vestido a pano passado, e sempre com seu guarda-chuva nas mãos, se deleitava nessas conversas sobre a cidade que o acolheu em 1952, vindo de Chapadinha, fazendo da querida Bacabal, sua morada fixa até ir-se de entre nós em 2014. Compare-se aqui o nome da rua com o ano de sua morte.  

Pois bem, não obstante eu estar no mesmo ritmo lento, prosador e detalhista do nosso escritor, vamos ao que interessa, mas já adianto que nem tudo sairá como disse o prosador, em função do tempo e da falha de lembrança, não dele, que tinha uma invejável memória, mas deste cronista que vos escreve.

Pois sim, a origem do nome “Rua 14 de Julho” data da década de 1960 e alcança demandas morais, sociais e administrativas. Estando a cidade em acelerado crescimento populacional, para cá chegavam famílias diversas para fazer vida e desenvolvimento. Por essa época a Rua 28 de Julho já era uma das mais movimentadas da cidade e um reduto dos prazeres da carne de homens solteiros ou infiéis e rapazolas na puberdade. Conforme o poeta, o nome “28 de Julho” derivou de uma rua de mesmo nome na capital São Luís, recheada que era de bordéis, contudo, é quase certo que aquela rua da capital homenageie a adesão do Maranhão, em 1823, à Independência do Brasil em relação à Coroa Portuguesa.

Fica acima explicado sobre o nome da nossa Rua 28 de Julho. Mas quanto à Rua 14 de Julho? O que tem a ver uma rua com a outra? Tudo a ver. Vamos lá. A Bacabal de outrora aumentava em comércios, indústrias, população, lazer e também em prazeres. Como toda cidade em crescimento, é natural que também venha a crescer sua zona do baixo meretrício. Afora a longe e recuada ZBM da Trizidela e a do Maxixe, era famosa a zona da Rua 28 de Julho e imediações. Como esta rua se localizasse bem no cerne do movimento, por onde transitavam cotidianamente pessoas diversas, clientes, senhoras religiosas, crianças e “famílias de bem”, alguns membros da sociedade e igreja se manifestaram contra a permanência da ZBM no centro da cidade, levando a gestão pública e o próprio poeta, que era vereador e influente nas questões de urbanismo, a deslocarem as casas de luz vermelha da 28 de Julho para outro local mais distante da “sociedade”. O local escolhido foi, à época, a última rua do Bairro da Areia, conhecida por Rua das Três, na verdade uma larga avenida, que não ficou menos movimentada pelas suas festas e regalos noturnos.

A decisão administrativa, contudo, não agradou toda a categoria e nem todas as luzes vermelhas se apagaram de todo, e foram ficando e resistindo quiçá clandestinamente. Desse modo, apenas parte dos bordéis da 28 se deslocaram para a Rua das Três, formando assim a 14 de Julho, Era uma questão moralista trazendo à tona social a lógica da matemática: 28 dividido por 2 = 14.

— Nomeemos a rua oficialmente de 14 de Julho, pois da 28 foram para lá parte de suas mulheres da vida.        

E esse é o motivo do nome dessa rua, nome tão tipicamente bacabalense. E até creio que nisso há muito do nosso historiador mais do que a narrativa, há de estar também a ideia e a ação, pois essa era sua cara: brincar com os números e com a história.

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(Costa Filho, Crônica do dia, 14-VII-2020)

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Lido 241 vezes Última modificação em Segunda, 20 Julho 2020 13:52
Edgar Moreno

SOBRE O AUTOR DA COLUNA

Edgar Moreno é cronista e escritor bacabalense, heterônimo do poeta Costa Filho, membro da Academia Bacabalense de Letras. Em abril, estreou com a coluna “Cronicando...” no site Cuxá. Escreveu ou escreve em outros jornais e sites, publicando eventualmente em suas redes sociais.

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