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Sábado, 25 Julho 2020 14:22

O QUE BACABAL DEVE APRENDER COM A PANDEMIA?

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Vista aérea da cidade de Bacabal-MA Vista aérea da cidade de Bacabal-MA

Seja por sua face ambiental, sanitária, econômica, social ou de saúde, a pandemia do novo coronavírus abalou as bases daquilo que a nossa civilização considerava normal. Hoje, visitar os amigos, dar um aperto de mãos, trabalhar, ir à escola ou à universidade – atividades antes tão rotineiras – não é mais tão tangível, não sem uma ponta de preocupação pelo menos. 

Certamente, o mundo que conhecíamos antes não será mais o mesmo. Não voltaremos ao “normal” de antes, até porque grande parte dessa falsa normalidade foi não só a geradora do atual e de antigos flagelos, mas também uma grande catalisadora. 

Por suas causas e efeitos, a crise multifacetada gerada pela COVID-19 expôs ampla e rapidamente as vísceras das nossas sociedades. Ambientalmente, com o aumento descontrolado da urbanização pouco sustentável, transfiguramos ciclos da natureza, aumentando a probabilidade de novas doenças surgirem, uma vez que obrigamos novos seres, muitos deles vetores de doenças, a conviverem em novos meios. 

Outrossim, nossos hábitos de consumo, alimentares e sanitários nos condenam. Onde seria o local ideal para um vírus passar entre múltiplas espécies e sofrer mutações mais facilmente? Ambientes como o mercado de Wuhan são verdadeiros laboratório do caos, com animais silvestres amontoados, expostos a fezes, urina, sangue e outras secreções, com pessoas indo e voltando com alimentos. E se engana quem pensa que isso é restrito à China. O Mercado Municipal de Bacabal, por exemplo, possui um controle sanitário no mínimo questionável. Carnes expostas sem qualquer proteção, com insetos fazendo a vigilância, em um espaço totalmente insalubre. Devemos mencionar ainda o nauseante matadouro, que vez ou outra viraliza com vídeos escandalosos, o lixão a céu aberto e a falta de esgotamento sanitário adequado.

Todas essas condições criam uma bomba relógio, isto é: se nada for feito a respeito, não interessa saber se irá surgir daqui ou dali uma nova patologia, mas sim quando.

Além disso, por seus efeitos, devemos elencar o problema do qual decorre o agravamento de todos os outros: o da saúde. Até onde saibamos, o Sars-CoV-2 não é o vírus mais letal do mundo e tão pouco o mais transmissível, mas possui a medida certa para fazer o estrago que está fazendo. Essas conclusão nos leva a uma séria de premissas, principalmente para nossa realidade local tão difícil. Inversamente proporcional, quanto menor o número de leitos, de profissionais de saúde, de equipamentos e o nível da infraestrutura hospitalar, maior deve ser nosso nível de restrições, o que é mais difícil de se fazer em nossa situação socioeconômica. Somos colocados entre a cruz e a espada. Como única alternativa, se Bacabal não investir mais no seu sistema de saúde, será incapaz de pensar o futuro próximo com otimismo. 

Por último, a face social da crise também é gravíssima em diversas dimensões. Após a necessária  formulação do auxílio emergencial de R$ 600,00 pelo Congresso Nacional, joga-se luz sobre aqueles dos quais não se sabia oficialmente nem da existência. É que milhões de brasileiros não foram registrados ao nascer, não possuem CPF e muito menos carteira de identidade, como mostrou uma reportagem do Jornal Nacional de maio/20. Sendo assim, a marginalização dos nacionais é clara, através da qual priva-se de direitos aqueles que mais precisam, sobretudo num momento tão difícil como este. E esse é só um dos pontos que marcam a nossa naturalização da desigualdade e da pobreza, que hoje cobram um preço caríssimo. Muitas pessoas não têm sequer o direito de ficar em casa, pois as condições financeiras são um empecilho; outras, nem acesso à água encanada possuem para fazer a mínima higienização. Enquanto houver pessoas vivendo nessas condições, não é possível falar em normalidade.

Essas constatações nos fazem ponderar sobre a relação passado/futuro, servindo de base e horizonte para o agora, que é o que interessa. O que Bacabal pode fazer ou começar a fazer hoje para que o futuro não seja mais tão comprometido pelo passado malfeito? Como podemos estar mais preparados para as novas crises que certamente surgirão?

A resposta não é simples, mas, introduzindo a discussão, digo: antes de tudo, devemos aceitar que as coisas não estão certas e projetar (sim, fazer projetos!) uma nova normalidade, pois, como afirmei inicialmente, parte da antiga causou o atual problema e parte o agravou. Assim, dos diversos aspectos que elenquei, sublinho algumas ponderações que devemos aprofundar através do debate público:

  1. Devemos nos atentar à crise ambiental, que vem nos causando cada vez mais problemas. Na prática, repensar hábitos e adequar a nossa cultura tão predatória e insustentável para algo mais harmônico com o meio ambiente. Nesse sentido, Bacabal deve pensar numa política ambiental, começando pela extirpação do lixão e adequação do Mercado Municipal, feiras e matadouro.
  2. Devemos também instrumentalizar a ciência para que ela seja mais capaz de fornecer soluções e prever possíveis problemas. Na prática, o município deve trabalhar junto com a Universidade por um lado, incentivando a pesquisa e extensão para a solução das problemática locais, e fornecer uma educação emancipadora desde o ensino infantil por outro. Dessa forma, podemos ter uma maior sintonia entre o poder público e a academia e a formação cidadãos mais preparados para os desafios que surgirão.
  3. Na questão sanitária, investir em um Centro de Controle de Zoonoses em Bacabal é essencial em para que se possa ter uma vigilância capaz de evitar surtos e garantir maior qualidade de vida para os munícipes. Além disso, o Saneamento Básico, quase ausente na cidade, é inadiável.
  4. Por fim, Bacabal deve assegurar maiores condições socioeconômicas para sua população. Há diversas oportunidades para que essa cidade se desenvolva. Você pode saber mais no meu artigo sobre o potencial econômico de Bacabal.
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Lido 295 vezes Última modificação em Quinta, 30 Julho 2020 22:28
João Carlos Lima

Bacharelando em Direito pela Universidade Estadual do Maranhão e fundador do Movimento Bacabal Novo. 

Telefone para contato: (99) 98118-8274.

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