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Sábado, 01 Agosto 2020 11:28

NÃO VOU COM A MANADA

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Por: Antonio Jakson da Silva, Jessé Lima da Silva e Henrique Rafael Alves da Costa*.

 

Não ando, não defendo e nem tampouco andarei com a manada. Manada aqui referindo-se ao “maria-vai-com-as-outras” facilmente percebido sem uso de nem um crivo crítico pautado na racionalidade mínima necessária, na lógica dos fatos e nos bons costumes de nosso tempo e sociedade.

Esse seguimento de pessoas e até instituições, com suas defesas enfáticas se fazem muito presente no Brasil atual com todo seu desprovimento de conhecimento em face à realidade presente e nem uma empatia para com o próximo, tampouco as consequência futuras, nem menos ainda a uma análise do histórico relacionado.

A palavra sectarismo (com uso geralmente em conotação negativa e pejorativa) bem define o real sentimento do agora. Este termo tem origem no latim de sectariu, isto é, em sentido estrito se aplica ao seguidor de uma seita, que acompanha de forma cega algo ou alguém sem notar ou importar com outras variáveis de conhecimento diferente daquilo que é a ideia do seguido. E assim, a situação que nos envolve no Brasil contemporâneo não beira, senão se encontra sem trincheiras ao lamaçal de bestialidades, acríticas e ahistóricas, advinda e liderada pelos escalões da governança do país, longe de uma defesa, ainda que mínima, do estado democrático de direitos, ou seja, nos atola sem a devida esperança naqueles que de praxe estão no poder para distanciar seu povo das lamentáveis situações vividas.

Não tem nada de tagarela na crise contínua brasileira de várias vertentes (ambiental, social, econômica, sanitária e antes de tudo de caráter e moral). Ora, a crise como a temos e seus potenciais homens e mulheres representantes do Estado se fazem medíocres e até pitorescos. Que triste! E eis que cabe um “Quanto mais nos elevamos, menores parecemos aos olhos daqueles que não sabem voar” de Friedrich Nietzsche (1844-1900). Pois então, dito isto não demora a aparecer um defensor do indefensável com vista a exposição do realismo segundo o filósofo alemão acima.

Pois bem, minha origem e formação recebida em escolas de educação de verdade (crítica, sobretudo) e pessoas de “fibra” não faz de mim senão um sujeito em construção assertiva fundamentado no pouco de razão racional adquirida e no respeito aos contrários, não um “segue o baile” que cegamente caminha ainda que seja para o precipício. Seria um tanto vexatório esquecer a ideia recebida dos povos alemães e italianos, além da oportunidade a que fui servido por sete anos ininterruptos de educação.

Como afirmo inicialmente da não guinada à manada, vejo nesse contexto a necessidade de fundamentar essa perspectiva com participação de colegas de formação acadêmica e também beneficiários dessa “ilha de excelência educacional”, das “reservas educacionais” das Escolas Famílias/Escola do Campo da ordem de grandeza dos amigos e ex-alunos Herinque Rafael (Capinzalense como eu) e Jessé Lima (São Manoel, Lago do Junco), que aqui se fazem presente nas ideias expostas e ideais de vida.

Reproduzo um recorte de texto a que fiz menção de gratidão à educação que ganhei como grande prêmio em detrimento da realidade difícil de outrora de um garoto pobre com sua família e que hoje ainda infelizmente vocifera situações assim nos grotões desse país. O pequeno texto se encontra na Revista Veja (Edição 2444 de setembro de 2015, logo após a Copa do Mundo de futebol no Brasil), em que digo: “... Escola Família Agrícola de Capinzal, uma ONG na qual sou aluno egresso e há dez anos diretor administrativo voluntário. O projeto criado e mantido há vinte anos com virtudes e recursos alemães tem sido para a região um santuário da educação de qualidade, uma ilha de excelência em formação de cidadãos, quando em sua ausência os jovens que ali passam teriam a pior educação do país, por estarem no interior do Maranhão e ainda serem da zona rural. Com o texto “Alemanha 7 x 0” muito me emocionei, viajei e sonhei. Obrigado por registrar com maestria nosso sentimento por aqui quanto ao povo alemão, a quem devemos muito por nos permitir ser melhores, ou pelo menos ser dignos.”

Atinente a essa temática saliento do orgulho e arrepio na alma que sinto em saber que meu farol de luz exemplar seja com muita alegria a Alemanha e seu cuidado com as pessoas por meio do exemplar modelo de gestão dos recursos públicos e nas relações de estadismo representativo. Trata-se, sem medo de errar, do exemplo da chanceler que se encontra no auge do poder. Angela Merkel, muito admirada pelo pulso firme em que conduz o Estado alemão, bem como quanto a ajuda na montagem do plano de recuperação da economia europeia e ainda ao fato de esnobar Trump.

A mulher que é a voz mais poderosa da Europa, seja por meio da capacidade de gestão, seja pela falta de competição à altura na atualidade, uma senhora de 65 anos, filha de um pastor luterano, criada na Alemanha Oriental, (os que lembra da Guerra Fria sabem que esse é o lado comunista), tem um ph.D. em química quântica pela Universidade de Leipzig, o que conforme estudiosos da política europeia, de onde vem sua excepcional capacidade analítica e do método científico de tomar decisões. A título de exemplo de gestão eficiente, a chanceler gesta cada desafio ao submeter a comparações, projeção de cenários, ponderação de riscos e a longa reflexão, sem espaço para emoções, logo em todas as esferas de seu governo ganha as guiadas de critérios técnicos.

A Estadista alemã soube, por exemplo, tirar partido da ascensão da China, com foco no comércio bilateral que passa hoje dos 200 bilhões de euros anuais.  Se fez também a principal ponte entre o Ocidente e a Rússia (com fala russa fluente). Ela tem tratamento de deferência pelo presidente russo Putin. Em Veja (Edição 2691 de junho de 2020) o professor de ciências políticas da Universidade de Sussex Dan Hough, registra que “Merkel é extremamente pragmática e guiada por metas”.

Assim, Merkel sai da crise ainda mais forte, com seu sempre terninho e salto baixo, sem nada de glamour. Com sua saída do páreo governamental marcado por ela mesma para 2021, muitas são as manifestações de aceitação de continuidade pós seus quinze anos no governo. Logo, conta com a aprovação de 79% dos alemães, em pesquisa recente. Assim, caminha, isso sim, para um fim de carreira dos mais excepcionais governantes. Ademais, a sua renovada admiração ganhou novos bons olhares a partir da forma como conduziu o combate ao novo coronavírus. Um misto de clareza de decisões com tecnologia de ponta, bem como serviço médico de qualidade na contenção de sucesso do contágio, com limites toleráveis no número de mortos e impedimento de repetição da real situação de seus países vizinhos. Não menos importante a líder alemã tem outra jogada certeira com o projeto de recuperação econômica com nuances ecológicas e que inclui e mobiliza a juventude europeia em seus 27 integrantes na União Europeia. Merkel, a Mutti (Mãe), como os alemães a apelidam, a saber, não tem filhos, segue como exemplo de Estadista. Ah, que inveja!

Bem, quanto a essa turma da “lacração”, de “jantar” ou cancelar o outro é maximizada em sua vaidade triste, de querer nivelar o debate com a régua por baixo, negacionistas e tão rasos são que não existem em médio prazo de tempo em termos de exemplos a serem seguidos e tomados como base para vida próspera, ordeira, pacífica e sustentável. Em tempos de governo medíocre e bagunçado, dado o tempo-teste se apresenta como um sinal em grandes chamas, sem medo de errar, de que ter alguém no ciclo amigável defendendo a criatura e suas ideias a ponto de modificar e/ou aplicar uma judiciarização ao próprio interesse para criminalização daquele que se opõem, conservando os crimes em impunidades e os erros estruturais com amparo legal, se apresenta mesmo desnecessário. De longe, com todo radicalismo e superficialidade própria desses “manadetes”, é um erro a não ser seguido, tão logo não esquecido, serve bem evitar a poluição de vazios, superficialidades e obscurantismos às claras.

 

*Antonio Jakson da Silva, Doutor em Ciências da Educação, professor universitário. Contatos para críticas e opiniões: (99) 981331551 – WhatsApp, Instagram prof_jakson e e-mail: Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo. - Bacabal – MA, Julho. 2020; Jessé Lima da Silva, Licenciado em História e Educação do Campo (Ciências Agrárias), Mestrando em Educação do Campo. Contato: (99) 992095234. Lago do Junco - MA; Henrique Rafael Alves da Costa, Historiador em curso.  Contato: (99) 984977799. Imperatriz – MA.

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Lido 727 vezes Última modificação em Segunda, 03 Agosto 2020 08:17
Antonio Jakson da Silva

Antonio Jakson da Silva, Capinzalense, Doutor em Ciências da Educação, professor universitário. Contatos para críticas e opiniões: (99) 981331551 – WhatsApp, Instagram prof_jakson e e-mail: dr.jakson123@gmail.com - Bacabal – MA. 2020.

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