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Domingo, 17 Janeiro 2021 22:54

CARTA A ADELAIDE EM 17-01-2021 – UMA NOVA DÉCADA Destaque

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Tarde de domingo, XVII-I-MMXXI

 

Minha doce e longínqua Adelaide,

 

A priori quero me retratar do termo “longínqua”, escrito aqui de ímpeto e sem candura, ainda que sensato, pois mesmo que longe fisicamente, estás sempre dentro do meu coração, tão mais perto quanto possas imaginar. Disso sei que sabes e muito bem, e bem mo compreendes.  

Agora, por um momento, me vejo agarrado à linha do tempo e noto que estamos no limiar de uma nova década, a terceira do século XXI, começada em 01.01.2021, ciclo a concluir-se em 31.12.2030. Até lá, minha Adé, temos muito a nos amar, a escrever... cousas que muito nos identificam e que somente a natureza em sua formosura, sabedoria e romantismo nos pode compreender.

Esta nova década, de repente me veio atiçar a lembrança de algo muito significativo entre nós: nossas cartas. Isso mesmo, as Cartas de Edgar à Adelaide, essa forma de comunicação tradicional e nobre que teimamos em manter para documentar nosso amor e sentimentos, nossos achismos e filosofias, nossa caligrafia a punho e papel a gosto, nossa marca, enfim.

Ah, minha querida, pudera as missivas serem nossas eternas companheiras, face a um mundo cada dia mais moderno e robótico, um tempo que rouba as mais singelas originalidades e as joga frente às deformações hodiernas. Não, minha Adé, não somos robôs, nem nunca seremos. Por isso, escolhemos as cartas para nelas eternizarmos nosso amor e nossa história, doutro modo não nos contaminar da virtualidade exacerbada, que viraliza entre os homens, tornando-os não raro sem alma e sentimentos.

Não queremos isso para nós, minha doce Adé! Nossas almas e sentimentos hão de reinar livres na escrita de nossas missivas enquanto assim pudermos. E assim queremos, logo eu que sou um tanto resistente às mídias, só aderindo tardiamente ou por força maior, e de igual modo tu, em tua maneira adelaidiana de convivência entre o moderno e o tradicional, afinal não somos simplesmente aldeotas; somos nobres e finos, sobretudo nas coisas do coração.

Mas tornando às cartas no tempo, elas já vazam a casa de uma década, posto que, salvo me engane, começaram por volta de 2009, quando já aí estavas, na Europa dos teus sonhos, e eu cá, a te merecer nosso amor. Isso merece comemoração: Palmas! Palmas, minha Adé! Abraços e beijos remotos!

No mais, o que de fato importa é que somos um do outro, com ou sem distanciamento, em função da própria distância ou da pandemia, que segundo noticiam, já consta em segunda onda também por aqui no Brasil, sobretudo em Manaus, a porta da nossa bela e tão cobiçada Amazônia. Mas não falemos de pandemia ou de Amazônia, falemos de nós, de nossa vida, do nosso amor, de nossas cartas.  

Se, pois, esta missiva não nos serve como comemorativa de dez anos, o é com efeito estreante da terceira década, isto é, nossa primeira carta de 2021. Digo nossa porque sem tu, minha Adé, jamais existiriam tais escritos, posto que és deles a grande inspiração e a doce destinatária.   

Vê, tu, minha querida, a manhã deste domingo veio com sol, e mais tarde o tempo foi fechando até chover razoavelmente farto. Já agora, às 17:05, continuam a cair gotas grossas, mas fracas sobre o meu telhado, cousa que me faz notar que tenho uma casa, e mais que isso, um lar.

Mas creio que essas questões meteorológicas não definem muito essa vontade de escrever. Talvez a defina o próprio dia, que sendo domingo, me chega muito mais propício para certas criações, como a escrita. 

Talvez por isso é que hoje, me tenha vindo uma inexplicável vontade de escrever alguma coisa, embora não soubesse o quê, nem a quem, embora ontem mesmo tenha eu e um comparsa das Letras, composto um poema e digitado um texto de Naftáli Atsoc, um salmista moderno ainda incógnito a quem costumo ler. Agora posso compreender: era meu coração inflamado pela tua saudade. 

Pois cá estou, cheio desse sentimento, transbordante feito o champanhe na taça. Mas digo-te, como em francês diria nossa Edna Frigato: Le champagne français ne me satisfait pas, quand j'ai soif de toi.” (Champagne francês não me satisfaz, quando minha sede é de você).

Já até suponho, minha querida Adelaide, qual seria tua resposta. Ei-la, pois, buscada que foi de Anna Flávia Schmitt Wyse Baranski: Lire que tu me manques apparaît dans le toit de ta bouche comme une bulle de champagne. Tu me manques beaucoup - il y en a beaucoup ... (Ler que você sente a minha falta estala no céu da boca tal qual uma borbulha de champagne. Saudades não me faltam - sobram...)

Essa saudade, que não transparece outra cousa senão o nosso amor, até me faz esquecer da minha breve lista de notícias para te deixar a par de como vão as cousas por esse Brasil, por esse Maranhão e por esse Bacabal. Contudo, vejo que isso já não se me parece tão propício, talvez por força desses tempos tão difíceis, que nos tiram o sossego, estressam o corpo, corroem a alma e frustram relações. Então, minha Adé, não falemos de pandemia, pois que isso puxa a política; e a política puxa a corrupção; e a corrupção, a injustiça; e a injustiça, a dor, a miséria, a morte...   Fiquemos com a vida, com as cartas, com o champanhe e o nosso amor.

No mais, o tempo sempre foi e assim o será: favorável e desfavorável; para uns, bom, para outros, péssimo; a uns, um paraíso, a outros o próprio inferno... Nem o tempo, nem a vida, nem nada, nunca há de ser igual a todos. Só não percamos nossa fé, pois que ela é um dom de Deus.         

E para não terminarmos sem comemoração, concluamos com o que disse Napoleão Bonaparte: Champagne! Dans la victoire vous le méritez, dans la défaite vous en avez besoin (Champanhe! Na vitória você o merece, na derrota você precisa).

 

Com carinhos do teu

Edgar

 

 

Post Scriptum: Quanto à nova década, como entraste? Eu, na igreja com a família.

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Lido 354 vezes Última modificação em Segunda, 18 Janeiro 2021 15:50
Edgar Moreno

SOBRE O AUTOR DA COLUNA

Edgar Moreno é cronista e escritor bacabalense, heterônimo do poeta Costa Filho, membro da Academia Bacabalense de Letras. Em abril, estreou com a coluna “Cronicando...” no site Cuxá. Escreveu ou escreve em outros jornais e sites, publicando eventualmente em suas redes sociais.

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