Sexta, 07 Agosto 2020
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Antônio Jakson da Silva

Antônio Jakson da Silva (4)

Sábado, 01 Agosto 2020 11:28

NÃO VOU COM A MANADA

Escrito por

Por: Antonio Jakson da Silva, Jessé Lima da Silva e Henrique Rafael Alves da Costa*.

 

Não ando, não defendo e nem tampouco andarei com a manada. Manada aqui referindo-se ao “maria-vai-com-as-outras” facilmente percebido sem uso de nem um crivo crítico pautado na racionalidade mínima necessária, na lógica dos fatos e nos bons costumes de nosso tempo e sociedade.

Esse seguimento de pessoas e até instituições, com suas defesas enfáticas se fazem muito presente no Brasil atual com todo seu desprovimento de conhecimento em face à realidade presente e nem uma empatia para com o próximo, tampouco as consequência futuras, nem menos ainda a uma análise do histórico relacionado.

A palavra sectarismo (com uso geralmente em conotação negativa e pejorativa) bem define o real sentimento do agora. Este termo tem origem no latim de sectariu, isto é, em sentido estrito se aplica ao seguidor de uma seita, que acompanha de forma cega algo ou alguém sem notar ou importar com outras variáveis de conhecimento diferente daquilo que é a ideia do seguido. E assim, a situação que nos envolve no Brasil contemporâneo não beira, senão se encontra sem trincheiras ao lamaçal de bestialidades, acríticas e ahistóricas, advinda e liderada pelos escalões da governança do país, longe de uma defesa, ainda que mínima, do estado democrático de direitos, ou seja, nos atola sem a devida esperança naqueles que de praxe estão no poder para distanciar seu povo das lamentáveis situações vividas.

Não tem nada de tagarela na crise contínua brasileira de várias vertentes (ambiental, social, econômica, sanitária e antes de tudo de caráter e moral). Ora, a crise como a temos e seus potenciais homens e mulheres representantes do Estado se fazem medíocres e até pitorescos. Que triste! E eis que cabe um “Quanto mais nos elevamos, menores parecemos aos olhos daqueles que não sabem voar” de Friedrich Nietzsche (1844-1900). Pois então, dito isto não demora a aparecer um defensor do indefensável com vista a exposição do realismo segundo o filósofo alemão acima.

Pois bem, minha origem e formação recebida em escolas de educação de verdade (crítica, sobretudo) e pessoas de “fibra” não faz de mim senão um sujeito em construção assertiva fundamentado no pouco de razão racional adquirida e no respeito aos contrários, não um “segue o baile” que cegamente caminha ainda que seja para o precipício. Seria um tanto vexatório esquecer a ideia recebida dos povos alemães e italianos, além da oportunidade a que fui servido por sete anos ininterruptos de educação.

Como afirmo inicialmente da não guinada à manada, vejo nesse contexto a necessidade de fundamentar essa perspectiva com participação de colegas de formação acadêmica e também beneficiários dessa “ilha de excelência educacional”, das “reservas educacionais” das Escolas Famílias/Escola do Campo da ordem de grandeza dos amigos e ex-alunos Herinque Rafael (Capinzalense como eu) e Jessé Lima (São Manoel, Lago do Junco), que aqui se fazem presente nas ideias expostas e ideais de vida.

Reproduzo um recorte de texto a que fiz menção de gratidão à educação que ganhei como grande prêmio em detrimento da realidade difícil de outrora de um garoto pobre com sua família e que hoje ainda infelizmente vocifera situações assim nos grotões desse país. O pequeno texto se encontra na Revista Veja (Edição 2444 de setembro de 2015, logo após a Copa do Mundo de futebol no Brasil), em que digo: “... Escola Família Agrícola de Capinzal, uma ONG na qual sou aluno egresso e há dez anos diretor administrativo voluntário. O projeto criado e mantido há vinte anos com virtudes e recursos alemães tem sido para a região um santuário da educação de qualidade, uma ilha de excelência em formação de cidadãos, quando em sua ausência os jovens que ali passam teriam a pior educação do país, por estarem no interior do Maranhão e ainda serem da zona rural. Com o texto “Alemanha 7 x 0” muito me emocionei, viajei e sonhei. Obrigado por registrar com maestria nosso sentimento por aqui quanto ao povo alemão, a quem devemos muito por nos permitir ser melhores, ou pelo menos ser dignos.”

Atinente a essa temática saliento do orgulho e arrepio na alma que sinto em saber que meu farol de luz exemplar seja com muita alegria a Alemanha e seu cuidado com as pessoas por meio do exemplar modelo de gestão dos recursos públicos e nas relações de estadismo representativo. Trata-se, sem medo de errar, do exemplo da chanceler que se encontra no auge do poder. Angela Merkel, muito admirada pelo pulso firme em que conduz o Estado alemão, bem como quanto a ajuda na montagem do plano de recuperação da economia europeia e ainda ao fato de esnobar Trump.

A mulher que é a voz mais poderosa da Europa, seja por meio da capacidade de gestão, seja pela falta de competição à altura na atualidade, uma senhora de 65 anos, filha de um pastor luterano, criada na Alemanha Oriental, (os que lembra da Guerra Fria sabem que esse é o lado comunista), tem um ph.D. em química quântica pela Universidade de Leipzig, o que conforme estudiosos da política europeia, de onde vem sua excepcional capacidade analítica e do método científico de tomar decisões. A título de exemplo de gestão eficiente, a chanceler gesta cada desafio ao submeter a comparações, projeção de cenários, ponderação de riscos e a longa reflexão, sem espaço para emoções, logo em todas as esferas de seu governo ganha as guiadas de critérios técnicos.

A Estadista alemã soube, por exemplo, tirar partido da ascensão da China, com foco no comércio bilateral que passa hoje dos 200 bilhões de euros anuais.  Se fez também a principal ponte entre o Ocidente e a Rússia (com fala russa fluente). Ela tem tratamento de deferência pelo presidente russo Putin. Em Veja (Edição 2691 de junho de 2020) o professor de ciências políticas da Universidade de Sussex Dan Hough, registra que “Merkel é extremamente pragmática e guiada por metas”.

Assim, Merkel sai da crise ainda mais forte, com seu sempre terninho e salto baixo, sem nada de glamour. Com sua saída do páreo governamental marcado por ela mesma para 2021, muitas são as manifestações de aceitação de continuidade pós seus quinze anos no governo. Logo, conta com a aprovação de 79% dos alemães, em pesquisa recente. Assim, caminha, isso sim, para um fim de carreira dos mais excepcionais governantes. Ademais, a sua renovada admiração ganhou novos bons olhares a partir da forma como conduziu o combate ao novo coronavírus. Um misto de clareza de decisões com tecnologia de ponta, bem como serviço médico de qualidade na contenção de sucesso do contágio, com limites toleráveis no número de mortos e impedimento de repetição da real situação de seus países vizinhos. Não menos importante a líder alemã tem outra jogada certeira com o projeto de recuperação econômica com nuances ecológicas e que inclui e mobiliza a juventude europeia em seus 27 integrantes na União Europeia. Merkel, a Mutti (Mãe), como os alemães a apelidam, a saber, não tem filhos, segue como exemplo de Estadista. Ah, que inveja!

Bem, quanto a essa turma da “lacração”, de “jantar” ou cancelar o outro é maximizada em sua vaidade triste, de querer nivelar o debate com a régua por baixo, negacionistas e tão rasos são que não existem em médio prazo de tempo em termos de exemplos a serem seguidos e tomados como base para vida próspera, ordeira, pacífica e sustentável. Em tempos de governo medíocre e bagunçado, dado o tempo-teste se apresenta como um sinal em grandes chamas, sem medo de errar, de que ter alguém no ciclo amigável defendendo a criatura e suas ideias a ponto de modificar e/ou aplicar uma judiciarização ao próprio interesse para criminalização daquele que se opõem, conservando os crimes em impunidades e os erros estruturais com amparo legal, se apresenta mesmo desnecessário. De longe, com todo radicalismo e superficialidade própria desses “manadetes”, é um erro a não ser seguido, tão logo não esquecido, serve bem evitar a poluição de vazios, superficialidades e obscurantismos às claras.

 

*Antonio Jakson da Silva, Doutor em Ciências da Educação, professor universitário. Contatos para críticas e opiniões: (99) 981331551 – WhatsApp, Instagram prof_jakson e e-mail: Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo. - Bacabal – MA, Julho. 2020; Jessé Lima da Silva, Licenciado em História e Educação do Campo (Ciências Agrárias), Mestrando em Educação do Campo. Contato: (99) 992095234. Lago do Junco - MA; Henrique Rafael Alves da Costa, Historiador em curso.  Contato: (99) 984977799. Imperatriz – MA.

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Terça, 26 Mai 2020 20:23

NÃO TENHA MEDO DO CONHECIMENTO

Escrito por

NÃO TENHA MEDO DO CONHECIMENTO

Por: Antonio Jakson da Silva*

O conhecimento, algo mais fulcral do que a informação é um determinante da vida melhor, se digna, se menos injusta. E nesse contexto é mais que recorrente que façamos sem medo sua busca, apropriação de um nível razoável do mais seguro delineador da vida mais próspera, pacífica, quiçá sustentável.

A docência como profissão é mais que uma base de sustentação financeira e motivacional, representa um espaço em que é encantador como possibilidade de ensinar e aprender em meio aos processos educacionais em suas exigências como do planejamento, das pesquisas e leituras diversas, do sequenciamento das ideias, organização e apresentação da aula, para ser consistente no conjunto de significados do conhecimento e tentar ser mais assertivo quando o saber toma forma.

Basta que aconteça mais uma apresentação em aula para fluir o sentimento de mais feliz. Talvez seja ousadia dizer que é preciso que alguém assista a uma única aula feita com prazer e profissionalismo para sentir também da mesma alegria em poder saber de maneira mais direcionada e esperançosa. É, senão, um momento pautado em verdades aceitas e dignas de perfazer o equilíbrio entre a beleza da razão e da emoção como moldadores do ser humano em formação.

O conhecimento é encantador quando possibilita poder munir os pares de criticidade, de dúvida, de argumentos plausíveis, de silêncio necessário e de contemplação do belo e do simples da vida em cada uma das profissões que se mostra aberta às contribuições em seu curso. Os educandos são geralmente pessoas comuns que se diferem apenas pelo simples fato de ainda não ter galgado a formação a que se posta em meio a todas as suas dificuldades enfrentadas para esse propósito.

A provocação é uma das melhores hipóteses de resultados quanto a maior atenção para o valor que tem o conhecimento, sobretudo, o conhecimento científico sem perder de vista o respeito e até mesmo a utilização dos demais (teológico, empírico e filosófico). Todavia, torna-se necessário encarar e buscar “a todo vapor” mais pelo saber científico, haja vista tanto acesso a informações de toda ordem ofertadas a todo instante e o atraso que coloca o Brasil na categoria de país emergente. Distinguir o que serve como base e norte nesse meio é uma tarefa que requer o mínimo de sensatez e um pouco de capacidade interpretativa para não se deixar levar por engodos e futilidades.

Assim, ao olhar um dos tantos veículos de comunicação a disposição, seja rádio, tv, jornal, revista, redes sociais e aplicativos de conversas, logo percebe-se o quão na maioria do que é servido nesse espaço são apelos montados para alimentar apenas o anunciante e suas ideias como proprietários. Todavia, quando se tem o mínimo de escrúpulo interpretativo se terá o crivo necessário em sua continuidade ou não. O que poderá gerar apreço ao que se tem em contato. O “nem muito e nem pouco, mas o suficiente” de Aristóteles cabe como uma luva nesse contexto.

O radicalismo ou tentativa de julgar todas as ideias, assuntos, pessoas e instituições na mesma “vala rasa” é um erro primário e grosseiro, senão vexatório para uma espécie de animal denominado racional. É só olhar para o que se tem atualmente no nível comunicativo quando uma leva significativa de pessoas, sobretudo autoridades políticas e artistas, preferem se comunicar por redes sociais com caracteres limitados (poucas palavras) justificando ser comunicação direta e fácil, em detrimento das grandes redes de comunicação, que embora não sejam santas, são mais profundas em suas exposições, cabendo ao espectador distinguir o que é verdade ou mera publicidade.

Não se pode jogar fora o bebê junto com a água suja da bacia. Cabe aqui defender a existência da Rede Globo, umas das melhores TVs do mundo (2ª depois do grupo norte-americano American Broadcasting Company) em qualidade de imagem e conteúdo com seus profissionais, bem como a Revista Veja, sem perder de vista seu impecável português e notícias em profundidade. Ou não se estaria fazendo jus ao que é considerado uma das maiores conquistas enquanto humano-aprendiz, a capacidade de filtrar as ideias, de conhecer, reconhecer e apreciar a seleção destas. Nessa mesma revista e canal de tv percebe-se conteúdos que chegam a ser desprezador das pessoas mais pobres no país, como se elas não existissem (mais de 1/3 da população em meio a 210 milhões de habitantes). Eis uma situação horripilante. Essa triste realidade também foi abordada pelo jornal El País em 2019, quando registrou que “a extrema pobreza subiu no Brasil e já soma 13,5 milhões de pessoas sobrevivendo com até 145 reais mensais. O número de miseráveis vem crescendo desde 2015, invertendo a curva descendente da miséria dos anos anteriores”. De acordo com o método científico e análises lógicas a esse respeito, esse dado é um vexame grotesco e caricato para um país que ocupa a 9ª posição de mais rico do mundo (em Produto Interno Bruto), com acesso a conhecimentos, tecnologias e instituições governamentais funcionando em sua razoabilidade.

É inadmissível não ter a pobreza uma agenda própria nesse país. Um plano estratégico (para longo prazo) de diminuição desses números para índices toleráveis como tem feito países que gozam da mesma posição em economia e outros aspectos citados. É preciso se indignar com isso e começar, de fato, não apostando em salvadores da pátria, mitos, exemplos isolados de gestores. E tornar isso regra nesse país quanto a sua governança.

O começo da mudança se encontra logo ali na luta de cada um ou do coletivo em formar-se educacionalmente mais e melhor. A título de exemplo, em todas as localidades, sejam nações ou cidades, suas soluções são sempre pautadas no processo educacional de seu povo, no conhecimento escolar para tal, nunca tentando a volta da Idade Média sob o absolutismo religioso e regimes políticos autoritários. Isso é um escárnio contra a racionalidade e o bom senso.

Muito importa a capacidade de usar um crivo, escolha, análise, intepretação aguçada e clarividente dos fatos e conteúdos que rodeia-me para entender e viver melhor essa realidade cinzenta, nua e crua. O que o conhecimento científico em seus métodos desde o pensamento de Sócrates (5 séculos a. C.) corroborado com René Descartes (1596-1650) e Immanuel Kant (1724-1804), vai de cheio e ao encontro dessa perspectiva.

Se orgulhar de ser ignorante e arrogante nesse tempo é mesmo uma situação digna de ausência no ciclo amigável de quem se sente equilibrado e aceito na comunidade científica. É se comportar abaixo da capacidade que lhe é ofertada. É não se reduzir a sua insignificância no universo. Não obstante, ou ainda se preferir uma dose de Fiódor Dostoiévski (1821-1881) em “sua ideia é sórdida e imoral e exprime toda a sua insignificância da sua evolução”.

 Viva a Vida, Viva!

 

*Antonio Jakson da Silva, Doutor em Ciências da Educação, professor universitário. Contatos para críticas e opiniões: (99) 981331551 – WhatsApp, Instagram prof_jakson e e-mail: Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo. - Bacabal – MA, Junho. 2020. Com importantes contribuições e revisão de acadêmicos (as) e profissionais que em algum momento foram discentes em graduações e especializações em que o Professor Jakson lecionou/leciona: Daiana Ferreira da Silva, Francisco Medeiros Leitão e Francisco Helmer Pinheiro de Oliveira (acadêmicos de Pedagogia/UNIPLAN Bacabal), Henrique Nehru Sousa Lima e Giselly Meneses da Silva Santos (acadêmicos de Administração/UNIPLAN Bacabal), Francisco Diassis Mota Cabral (Licenciado em Matemática/Instituto Queirós/Polo Santo Antonio dos Lopes), Késia Ferreira Silva, Geovane da Silva Freitas e Nayara Damasceno da Costa Pereira (acadêmicos de Pedagogia no IDMEC/Polo Alto Alegre do Maranhão), Samantha Brasil Carvalho Cruz e Fabiana Ribeiro de Sousa (acadêmicas de Pedagogia no Instituto de Educação Santa Clara/Polo Tuntum), Fernanda da Silva Costa, Bióloga pela UEMA e Especialista em Meio Ambiente pelo IFMA; Giselly Loyvva Cardoso Botelho (Graduada em Letras\UEMA, Especializanda em Docência do Ensino Superior/FAEMA, Santa Inês), Eliane do Nascimento Soares (Pedagoga/FACEC, Brejinho/Bacabal), Francisca Anahi Burgos Diniz (Pedagoga FACAM, Bacabal), Adalmir Oliveira Bezerra (Letrólogo/Faculdade do Baixo Parnaíba e Especialista em Gestão e Supervisão Escolar/FAEME e Educação Especial/Educação Inclusiva/UEMA, Bom Jardim).

 

 

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Por: Antonio Jakson da Silva*

Tenho cada vez mais convicção de que é necessário o mínimo de 20 anos de tempo, sem bruscas interrupções, para desfrutar de vida mais digna e lógica com as conquistas sociais de nosso tempo. Algo sustentável para não dizer permanente, por representar um risco pela força dessa última expressão nesse campo.

Eis uma tentativa de discorrer em torno de uma contribuição acerca da vida digna de uma comunidade independente de seu tamanho e localização no globo. E só faço isso por entender que é necessário colocar essa pauta na agenda social em tempos sombrios agora e diante do porvir. É obvio que estou falando da pandemia que atingiu em cheio os nossos afazeres, pensamentos e comportamentos, porque não afirmar os nossos sonhos também? Além de concomitante a esse clima inexplicável ainda, das pífias gestões municipais em resultados positivos, que terão em tão breve eleição municipal. Situação determinadora das nossas vidas in loco (no próprio local em que vivemos diretamente).

Para tanto, tomei a liberdade de buscar em algumas fontes de leituras alguns embasamentos com o devido crivo de escolha pautado naquilo que é considerado real, verdadeiro, assertivo em meio uma enxurrada de informações. O termo enxurrada foi proposital para se ter um sentido de que esse fenômeno é o mais próximo que vejo quando se trata de informações verdadeiras junto às fantasiosas e sem nexo em alguns aos fatos.

Literalmente, não tem como falar em uma sociedade de vivência dentro dos padrões de dignidade humana sem tomar como base a educação que essa recebe e participa. A educação, aqui entendido com acesso ao conhecimento, sobretudo científico, com zelo e respeito aos demais saberes, é de longe um dos sustentáculos da vida promissora e lógica em conformidade com o nosso tempo de quase pleno acesso, desfrute de conhecimentos, tecnologias informacionais, capacidade ordeira e pacífica de construção participativa de vida digna.

Assim, quando o conhecimento é negado desde tenra idade a uma comunidade, logo suas vidas serão de desordens de toda ordem. Até que se tenha dada sociedade consciente e capaz de não aceitar barbáries, inoperâncias, incompetências, descompromisso com a vida agora e no futuro, vale notar que esse povo precisa necessariamente ser alimentado em um processo contínuo de educação de verdade que inexoravelmente precisa de no mínimo 20 anos de continuidade.

Incluo aqui exemplares do dia a dia visto e vivido em torno de paralelos que tracei ao analisar, à luz da ciência social, enquanto filósofo, letrólogo e bacharel em administração, algumas reflexões, inquietações e ponderações em torno da gestão municipal de três municípios maranhenses beneficiados com recursos financeiros expressivos. Tais receitas advindas do gás natural explorado na região central do Maranhão, sejam os municípios: Capinzal do Norte, Lima Campos e Santo Antonio dos Lopes, considerando a produção desde 2013, portanto já em quase 07 anos.

Minha intenção, de longe não esgota as possibilidades quanto o que pode ou não ser real. Sendo, reiteradamente, de fazer deste registro analítico o objetivo de jogar luz à expressão “tentativa desejosa e corajosa de viver”. Em meio a banalização de aceitar que gestores públicos ainda continuem a seu bel-prazer de usufruir do direito coletivo social e beneficiar tão somente meia dúzia de pessoas em seu entorno de maneira sustentável, o que de praxe essa metade de uma dúzia independente do próximo governo continua vivendo muito bem, obrigado. Nisso, asseguro que não classifico de imediato esses municípios nessa condição. Quem deve fazer isso ou não são os interpretadores do presente registro.

Contudo, afirmo que todos eles mostram aspectos plausíveis de que muito ainda precisam acertar na maneira como suprir esses locais, administrá-los e como distribuir suas benesses e resolver problemas. Abaixo segue algumas informações, que falam por si só. São poucas, e muitas das ações e programas acontecem em todos eles, e veja-se que são fáceis de adotar, na sua maioria.

Tais informações a seguir tiveram a contribuição de moradores (amigos, parentes, colegas, alunos, secretários, funcionários das prefeituras, vereadores) que consultei em cada um desses lugares e sob minha percepção dentro da lógica daquilo que é algo novo diante do que não tinha ocorrido no lugar antes, mesmo que nem todos os benefícios listados tenham como fonte direta as receitas do gás, mas se apresenta como algo bom, impactante da gestão municipal que em tese faz a gestão de volumosos recursos financeiros certos e contínuos com base na produção de gás na região.

A base temporal para valores em reais foi de um ano (01/04/2019 a 01/04/2020). Assim, com fonte diretamente do portal da internet de cada município (2020), segue o bolo da cereja:

Capinzal do Norte, com 25 anos de idade, população de 10.698 habitantes com Receitas previstas do gás por mês R$ 718.677,94 (Setecentos e dezoito mil, seiscentos e setenta e sete reais e noventa e quatro centavos). Atividades inovadoras (criadas ou continuadas): Orla do açude (lazer, beleza), mecanização da agricultura (produção local, renda), estradas vicinais (ainda de piçarra, embora nem todas), manutenção do estádio de futebol (lazer, boa estrutura), premiação de melhores profissionais e alunos na educação anual (incentivo, valorização), prédio da prefeitura (maximização das receitas, antes alugueis caros), Centro de Atenção Psicossocial (CAPS), Atendimento educacional aos deficientes, com transtornos e dificuldades de aprendizagem (valorização das diferenças), coleta de lixo (serviços contínuos), arborização da cidade (cuidado ambiental e beleza).

Lima Campos, com 58 anos de idade, população de 11.415 habitantes com Receitas previstas do gás por mês R$ 3.798.750,00 (três milhões, setecentos e noventa e oito mil, setecentos e cinquenta reais). Atividades inovadoras (criadas ou continuadas): Infraestrutura da cidade e comunidades (estradas asfaltadas ou em bom estado de conservação, inclusive dentro dos povoados), Centro de atendimento da mulher (aposta exclusiva, valorização), creche municipal (aposta na educação desde cedo), mercado da agricultura familiar (valorização da produção e produtor, renda), gás de cozinha (programa de distribuição bimestral para 500 famílias), (partilha, assistencialismo necessário diante das condições), segurança local (câmaras na sede municipal de controle).

Santo Antonio dos Lopes, com 56 anos de idade, população de 14.253 habitantes com Receitas previstas do gás por mês R$ 6.562.527,40 (Seis milhões, quinhentos e sessenta e dois mil, quinhentos e vinte  e sete reais e quarenta centavos) . Atividades inovadoras (criadas ou continuadas): Transporte universitário (aposta educacional belíssima), bolsa-família local (ajuda necessária para quem menos tem para 1.000 famílias), festas comemorativas (grandes eventos, organizados e divertidos, lazer), cidade limpa, calçamento de ruas (na cidade, bom tráfego), estradas vicinais (abertura de algumas, conservação de poucas outras a contento), mecanização da agricultura (aposta em produção e renda local), matadouro para carne (razoável para o fim a que presta), estádio de futebol organizado (lazer, boa estrutura), orla do açude (lazer, beleza), gratificação salarial a todos os servidores municipais (100 reais a mais no salário).

Importante ressaltar algumas premissas para entender melhor a situação de cada um desses lugares, contudo algumas são gerais, como a formação educacional, experiência de vida e trabalho de cada um dos gestores. Nesse sentido, também muito válido é perceber que o tema desse texto urge por continuidade, e assim sendo, isso faz uma grande diferença para os gestores que receberam seus municípios andando dentro da razoabilidade nos últimos oito anos. No caso, apenas Lima Campos teve esse privilégio, os demais apanharam os municípios saqueados (até os ventiladores dos prédios públicos subtraídos pela população), com dívidas robustas de INSS, energia elétrica e até os ventiladores dos prédios públicos subtraídos pela população, entre outros casos.

É dispensável citar aqui os salários em dia, o hospital e escolas funcionando, isso não é nada mais que obrigação do gestor enquanto benefício desta gestão em detrimento das anteriores, além de ser um pensamento casuísta, conformista e efêmero. Não se trata de comparar gestões, mas de um paralelo entre o que se tem disponível em recursos financeiros e a possibilidade de tornar esse “maná dos céus” algo sustentável por longo prazo à população. Com ressalva de programas funcionando com recursos federais nesses locais, sem os quais os benefícios listados ficam ainda menos representativos como algo inovador e impactante da gestão atual.

A propósito, em visita ao hospital nas cidades, de Capinzal do Norte e Santo Antonio dos Lopes, em intervalo de um ano e agora recente, presenciei portas, macas, paredes e outras estruturas sujas, enferrujadas, além de funcionários como vigilantes que mais parecem mendigos ou mesmo malandros com seus bonés tapando os olhos em atendimento que parece jamais ter visto uma capacitação. Esses lugares também ainda festejam inauguração de ponte de madeira, poços artesianos, aquisição de ambulância e abertura de estrada de piçarra, em cenas de grande pequeneza.

São, no geral, cidades com folhas de pagamento lotadas, o que num primeiro momento se apresenta como muito bom, haja vista a distribuição de recursos entre os munícipes locais, embora sejam contratos que são dispensados à medida que o governante é mudado, ou ainda antes, se não servir na cartilha de defesa intransigente de seus mandatários, função que inclui ser parte ativa do exército quase robô nas redes sociais em afirmativas gloriosas dos feitos do gestor. Some-se a isso, o agravante de nas férias de dois e até três meses essas pessoas não receberem recurso algum, sendo descartadas e alocadas como manda os aspectos do direito e da legislação trabalhista e em conformidade com a imoralidade e hipocrisia humana.

Para entender melhor de como é descrito a bonança vinda do gás nessas cidades, segue como é exposto nos documentos apresentados nos portais das referidas prefeituras, um levantamento feito considerando o período de um ano nas datas de 01/04/2019 a 01/04/2020. Os dados gerais incluem as receitas que vem do gás diretamente nominal como pode ser visto abaixo, sem contar outras fontes que num primeiro momento ao olhar os documentos contábeis não se percebe facilmente. Válido ainda colocar que os valores vindos direto do gás oscilam para mais e menos conforme produção da termelétrica em alguns meses, sobretudo após agosto com valores muito abaixo da média prevista, como afirmou um vereador da bancada governista de Capinzal e um técnico administrativo de Lima Campos.  Em Santo Antonio dos Lopes, os recursos mensais exclusivos e nominados do gás são da ordem de receitas orçamentárias de 78.750.329,00 (Setenta e oito milhões, setecentos e cinquenta mil, trezentos e vinte e nove reais) nesse período de um ano só do gás, o que geram 6.562.527,40 (Seis milhões, quinhentos e sessenta e dois mil, quinhentos e vinte e sete reis e quarenta centavos) por mês como mostra na tabela acima, nesse tempo mencionado.

Em Santo Antonio dos Lopes:

Cota-Parte Royalties Participação Esp.-Lei Nº 9.478/97                                                 22.450.000,00

Cota-Parte Royalties Participação Esp.-Lei Nº 9.478/97 - Princ.                                      22.450.000,00

Cota-Parte do Fundo Especial do Petróleo - FEP                                                                210.000,00

Cota-Parte do Fundo Especial do Petróleo - FEP – Principal                                                210.000,00

 Outras Transf. Dec. Comp. Financ. p/Explor. Rec. Naturais                                             7.629.090,80

Outras Transf. Dec. Comp. Financ. p/Explor. Rec. Naturais - Princ.                                   7.629.090,80

Em Lima Campos:

Transf. da Compensação Financ. Exploração de Rec. Naturais

       15.195.000,00

Cota-Parte Royalties-Compen. Produç. Petro-Lei 7.990/89

       15.000.000,00

Cota-Parte Royalties-Compen. Produç. Petro-Lei 7.990/89 - Princ.

       15.000.000,00

Cota-Parte do Fundo Especial do Petróleo – FEP

            195.000,00

Cota-Parte do Fundo Especial do Petróleo - FEP – Principal

            195.000,00

Em Capinzal do Norte:

COTA-PARTE ROYALTIES EXCEDENTE PROD. PETRÓLEO-LEI 9.478/97- PR

8.467.470,58

COTA-PARTE ROYALTIES PARTIC.ESPEC.– LEI Nº 9.478/97 ART50 - PR

1.844,29

COTA-PARTE DO FUNDO ESPECIAL DO PETRÓLEO – FEP-PRINCIPAL

154.820,61

      

 

 

 

 

 

Aqui acima não estão contabilizados recursos gerados por empresas locais que se beneficiam da relação de negócios do gás em cada cidade e geram dividendos tributários também. O que de certo torna esse montante em receitas maiores ainda e disponível a gestão local. Nessa relação de receitas abundantes frente ao número populacional cabe perguntar qual o preço pagam ainda a maioria dos munícipes em meio a tanta riqueza? De todo, vale lembrar de forma enfática “a vida não é mercadoria”.

A literatura da área por meio de Piazza e Silva (2011) defende que “a população brasileira precisa alcançar a verdadeira condição de civilização, a qual consiste em uma sociedade que não somente transpôs o estado de barbaria, mas que também desenvolve valores e caminha para o nível mais avançado do progresso”, nisso é válido identificar alguns elementos fundamentais e urgentes, denominados de desafios civilizatórios diante do quadro de tão parcos resultados positivos.

Pelo menos, minha mãe, a luz e no alto de sua experiência de vida e seu ensino fundamental incompleto, defendia que deve-se planejar o que vai fazer e ainda assim se erra, imagine não planejando. Logo, essa é uma premissa chave dos quatro elementos principais da administração científica. Olhando para os exemplos acima, podemos afirmar categoricamente quando comprados os locais que Lima Campos faz jus com aplicação até da teoria Weberiana da burocracia logo na recepção de seu Palácio Municipal, e de longe é por suas condições estruturais e organizacionais o local com mais chance de ter continuidade no que produz de entrega eficiente em demandas públicas com população consciente e ativa de que tem o poder e o direito à vida digna em continuidade. A saber, mesmo em Lima Campos têm comunidades rurais com falta de água potável para o consumo humano, dentre outros problemas e necessidades básicas em falta ainda.

Esses lugares tem na prefeitura a principal e única fonte de emprego em maior possibilidade de contratação, com exceção de Santo Antonio do Lopes por sediar as duas termelétricas de produção de energia elétrica usando o gás natural do subsolo da região. Faz-se necessário, ainda com vista a lógica da academia do saber nesse campo, entender que recursos devem ser gerados para suprir as necessidades da sociedade, importante como administrá-los e como distribuí-los.

Nesse sentido, “os problemas vivenciados no Brasil se originam mais da falta de uma administração eficiente do que de qualquer outro motivo, o que impossibilita, também, um desenvolvimento sustentável” (PIAZZA; SILVA, 2011). Ainda os mesmos autores afirmam que existe uma emergência desse novo contexto, em que a administração efetiva é essencial à evolução. E evidencia os dois principais diferenciais competitivos de uma nação próspera: infraestrutura e capital intelectual – premissas inerentes ao funcionamento razoável da democracia. De modo geral, percebemos a importância da construção de um patrimônio durável em substituição à produção desenfreada voltada ao consumismo imediatista, bem como da geração de riquezas como forma de distribuir a renda de maneira racional e eficaz.

Assim, segundo a Revista INIFEBE (2011) nota-se que todo processo civilizatório está intrinsecamente relacionado à apropriação, administração e distribuição de recursos, dos quais podemos destacar como fundamentais a água, o alimento e a moradia. Contudo, sem conhecimento, zelo moral pelo bem comum e visão no longo prazo, não existe um gerenciamento eficaz de capital, bens e serviços. Isso pode ser o maior empecilho evolutivo do Brasil, com vista se tratar de um país repleto de recursos naturais, relativamente pacífico e pouco atingido por catástrofes naturais, em detrimento a outros países.

Não podemos pensar o ato de civilizar uma sociedade sem incluir como forma de conquistar, se apropriar de avanços tecnológicos, culturais e intelectuais. Uma vez que se detém ou se constitui enquanto sociedade os meios do processo civilizatório, caminha-se em direção ao progresso. Para Fonseca (2011), temos uma carência de capital humano que prejudica o funcionamento da nossa democracia. A população brasileira tem uma carência educacional que torna muito difícil a informação, o discernimento, que reduz a credulidade. As pessoas são muito crédulas ainda e se satisfazem com pouco.

Uma das situações mais caóticas dos três lugares em questão e que os moradores atolados em suas ilhas não se dão conta de forma consciente, volta-se para o saneamento básico, os serviços de tratamento de água e esgoto, limpeza de ruas, coleta, destinação e tratamento de resíduos orgânicos e materiais, inclusive nas comunidades rurais. Essas são ações que além de reduzirem a mortalidade infantil são inerentes a uma vida digna, esses procedimentos são fundamentais para o avanço do desenvolvimento humano (PIAZZA; SILVA, 2011, com grifos meus). Todavia, em conformidade com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), apenas 45,7% dos domicílios brasileiros possuem acesso à rede de esgoto (IBGE, 2011).

Destarte, quanto menos criticidade temos, tanto mais ingenuamente tratamos os problemas e discutimos superficialmente os assuntos (FREIRE, 2007). Um exemplo de como o investimento em educação traz resultados significativos é o caso da Coréia do Sul, esta e o Brasil já foram países bastante parecidos, quando em 1960 eram típicas nações em desenvolvimento, atoladas em índices socioeconômicos calamitosos e com taxas de analfabetismo que beiravam os 35%. Passados mais de quarenta anos, um abismo separa as duas nações. A Coréia exibe uma economia fervilhante, capaz de triplicar de tamanho a cada década. Sua renda per capita cresceu dezenove vezes desde os anos 60, e a sociedade atingiu um patamar de bem-estar invejável. E o Brasil ficou para trás, a Coréia largou em disparada. Por que isso aconteceu? Porque a Coréia apostou no investimento ininterrupto e maciço na educação – e nós não (WEINBERG, 2005, com grifos meus).

Isso significa que é preciso preparar a população. Não basta simplesmente distribuir a riqueza gerada (embora necessário, em alguns casos), pois, quando esse processo não se dá de forma sustentável, acaba se tornando um custo para toda a gestão local como se nada tivesse de diferente como no caso do elemento preponderante aqui relatado que são receitas garantidas e vultosas a longo prazo. Muito embora, nesses espaços é real a carência até mesmo de suprimento de alimentação diária, o que faz entender da necessidade imediata de assistencialismo estatal, o que mostra ser preciso bolsas de toda ordem com vista no futuro dos filhos das famílias envolvidas não precisarem destas com base na relação de educação e saúde que disfrutam diferentes de seus pais. O problema nesse caso se encontra em garantir, de fato, a continuidade e efetividade da relação bolsas-educação-saúde.

Convenhamos, nesses legares faltam: administração com foco, seriedade e prudência. Ao tomar posse o plano de governo registrado oficialmente é deixado de lado e nem mesmo os três meses que antecedem o ato de posse não serviu para a preparação da gestão mais assertiva. Em Capinzal notei a falta de merenda escolar em uma escola com menos de vintes crianças no Povoado Espírito Santo I em quase um mês antes do carnaval logo no início do ano letivo do quarto ano de governo que caminha para reeleição, enquanto isso Chicabana na praça, banda de renome nacional como assim é colocado tecnicamente no processo licitatório municipal. Em Santo Antonio dos Lopes andei por duas horas e meia em míseros 39 km por estradas que ligam a sede municipal a MA que vai a Pedreiras, por Joselândia, com prejuízo no veiculo de mais de um mil reais.  Como explicar isso? Incompetência, descompromisso, descaso? Falta de recursos que não é!

Falo isso, também a luz da ciência social, em que cabe dizer que a formação de um capital intelectual consistente, por sua vez, implica em outra necessidade: a construção de uma infraestrutura que permita que as pessoas tenham acesso e absorvam a educação. E ainda, o sério problema nesse meio é de termos mandatários governando sem preparo para exercer uma administração efetiva, que resulte em um desenvolvimento sustentável e que seja compreendida e supervisionada por toda a sociedade. Sem pessimismo, mas senão realismo, as gestões fazem abaixo de suas capacidades ou precisam melhorar muito para serem denominadas de ruins diante dos recursos que recebem.

Obviamente, não listei os problemas vivenciados e ditos pelos moradores em um quadro também por entender que o objetivo desse registro poderia ser desvirtuado, pois de fato, chamaria muita atenção as miseráveis situações que são submetidas as pessoas na sua maioria nesses lugares, não obstante em detrimento dos recursos que recebem e diante do tempo que estamos. Para tanto, vamos chamar de menos ruim as gestões, em comparação a oposição politica nas suas localidades, pelo menos, salvo em Lima Campos que não foi testada a nova oposição. Menos ruim mesmo do que o lado oposto já experimentado e em conformidade com seu grupo de aliados atual.

Os vereadores são coniventes, cooptados pelo gestor atual na continuidade do sistema reinante de negociatas e toma-lá-dá-cá (vereador fiscaliza, prefeito executa, se a maioria deles estiverem do mesmo lado... Já sabem!), embora ainda tem nesse meio outros poucos que ainda fazem um trabalho de solidariedade constante ou assistencialismo interesseiro, no caso de outros junto às famílias mais carentes; Os mecanismos legais de apoio a gestão da melhor qualidade no Estado brasileiro são partes que melhoram desde a Constituição Federal de 1988, bem como a Lei de Responsabilidade Fiscal (2000), que em tese impede gastar o que não tem em receitas, antes ainda a Lei de Licitações (1993) e afins que melhora a aplicabilidade dos cinco princípios constitucionais do Art. 37; Os carrões, mansões... Simples, não condizem com o salário e a posição que ocupa o gestor municipal e sua família, assim, tendem fortemente serem ilicitudes deslavadas; A justiça, de forma geral omissa, senão leniente com tanto descaso ou ainda a espera de penduricalhos e benefícios em seus salários e carreiras de concursados e cargos comissionados; o povo, que povo!? Ah, aqui e agora pão e circo como na Roma Antiga, isso diz algo, embora não tudo.  

Entretanto, a aparente insolubilidade da estagnação brasileira se dá pelo fato de o problema ser um círculo vicioso. O famoso sistema ou jeitinho brasileiro. Assim, sem informação e discernimento, a democracia não se volta ao progresso e, sem uma democracia que funcione, não é possível gerar condições propícias para que a informação e o discernimento possam ser popularizados (PIAZZA; SILVA, 2011).

Como perspectivas de melhoria nesses lugares, Lima Campos continuará na dianteira. Ainda que assuma por lá um gestor a moda antiga, pois “acredito” que a sociedade não admite ter menos do que já experimentaram até aqui. Isso, por já ter se aproximado dos 20 anos cruciais em continuidade, onde a população, em tese com vista sua vivência no que tem vivido, não aceitam mais gestores que entram apenas para se locupletar com os recursos públicos municipais. Quanto aos demais municípios, Capinzal precisa urgente otimizar suas receitas, senão apenas verá sempre a banda passar e ouvirá só o toque, já o outro município vizinho precisa as pressas de um estadista a frente da gestão local, de forma que possa revolucionar o lugar, as pessoas e a cultura governamental, não deixar continuamente que assim como Capinzal permaneça com as mesmas favelinhas (casebres de barro caindo) nas entradas e saídas de suas sedes municipais.

Como vemos, o problema não é dinheiro. Embora sabemos também que por maiores que sejam os recursos em seus volumes, estes são limitados e as demandas o contrário. Eis, a necessidade da aposta na educação praticada por Aristóteles, professor de Alexandre “O Grande”, conhecimento sem separação da moral, conquista com respeito ao conquistado.

Não obstante, Viva a Vida, Viva!

 

*Antonio Jakson da Silva, doutor em Ciências da Educação, professor universitário. Contatos para críticas e opiniões: (99) 981331551 – WhatsApp, Instagram prof_jakson e email: Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo. - Bacabal – MA, Abril. 2020. Com contribuições e revisão de Jessé Lima da Silva, Licenciado em História e Educação do Campo (Ciências Agrárias), Mestrando em Educação do Campo. Contato: (99) 992095234. E Henrique Rafael Alves da Costa, Historiador (em  formação).

 

REFERÊNCIAS

 

BRASIL. 1988. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm. Acesso em: 18 abr. 2020.

BRASIL. 1993. Disponível em: http://plataformamaisbrasil.gov.br/legislacao/leis/lei-n-8-666-de-21-de-junho-de-1993. Acesso em: 18 abr. 2020.

BRASIL. 2000. Disponível em: https://www2.senado.leg.br/bdsf/bitstream/handle/id/70313/738485.pdf?sequence=2. Acesso em: 18 abr. 2020.

Capinzal do Norte. 2020. Disponível em: http://capinzaldonorte.ma.gov.br/. Acesso em: 18 abr. 2020.

DELFIM NETTO, Antônio. Para Delfim Netto, Brasil passa por processo civilizatório. [13 maio 2011]. Entrevistador: Fernando Canzian. TV Folha. Disponível em: http://www.youtube.com/watch?v=eUCj10-TA9I. Acesso em: 18 abr. 2020.

DRUCKER, Peter Ferdinand. O melhor de Peter Drucker: a administração. São Paulo: Nobel, 2002.

DRUCKER, Peter Ferdinand. O melhor de Peter Drucker: a sociedade. São Paulo: Nobel, 2001.

FONSECA, Eduardo Giannetti da. Entrevista no Programa Roda Viva. Disponível em: http://www.youtube.com/watch?v=YwKD_lL4vCw&feature=relmfu. Acesso em: 17 abr. 2020.

FREIRE, Paulo. Educação como prática de liberdade. 30. ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2007.

FUNDAÇÃO GETÚLIO VARGAS – FGV. Benefícios econômicos da expansão do saneamento básico brasileiro. Trata Brasil. Disponível em: http://www.tratabrasil.org.br/novo_site/cms/files/trata_fgv.pdf. Acesso em: 18 abr. 2020.

INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA – IBGE. Notícias. Disponível em: http://www.ibge.gov.br/home/presidencia/noticias/noticia_visualiza.php?id_noticia=1998&id_pagina=1. Acesso em: 17 abr. 2020.

KANITZ, Stephen. O patrimônio líquido nacional. Veja, São Paulo, v. 39, n. 6, p. 20, fev. 2006.

KANITZ, Stephen. A era do administrador. Veja, São Paulo, v.38, n. 1, p. 21, jan. 2005.

KANITZ, Stephen. Um país mal administrado. Veja, São Paulo, v.35, n. 40, p. 22, out. 2002.

Lima Campos. 2020. Disponível em: www.limacampos.ma.gov.br/obras. Acesso em: 18 abr. 2020.

PIAZZA, Camila Fischer; SILVA, Everaldo da. Desafios civilizatórios para o Brasil. Revista da Unifebe nº 10. São Paulo, 2011.

Santo Antonio do Lopes. 2020. Disponível em: https://www.stoantoniodoslopes.ma.gov.br/. Acesso em: 18 abr. 2020.

WEINBERG, Monica. 7 Lições da Coréia para o Brasil. Veja, São Paulo, v. 38, n.7, p. 60-71, fev. 2005.

 

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Domingo, 05 Abril 2020 16:15

A BASE E A ESSÊNCIA

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Parece até redundante e bem chavão o tema acima, mas só parece. O achismo diante dos fatos é um minuto de besteira que costumeiramente os desavisados e leigos usam com maior frequência.  Seu fundamento é necessário, antes é muito válido o acesso a esse conhecimento, sua compreensão, quiçá, sua construção na vida de cada um e na coletividade da comunidade local e mesmo da sociedade mais ampla na riqueza das diferenças de cada um.

É obvio que retrato nesse espaço o fator educacional escolar e/ou familiar alinhado a afetividade junta àqueles que são parte do fluxo contínuo da vida. Falo das pessoas ou indivíduos que nos cercam como família, vizinhos, amigos e passantes e/ou contatos a que temos. Chamo de pessoas e/ou somente indivíduos pela semântica do primeiro termo calhar melhor aos nossos ouvidos e corações humanísticos, ainda em alguns.

Fico muito inclinado a pensar cada vez mais e aceitar piamente que as bases para uma sociedade mais digna, senão melhor, têm na educação recebida e desenvolvida com as crianças desde tenra idade. Num momento que cultivo e cativo a 21 anos junto às minhas amáveis sobrinhas (Ju, Manu, Izá e Clara), bons hábitos que desejamos perpetuar, lembro que nesse tempo partilhamos uma caixa de bombom sempre com o jargão de “essa caixa não vai fugir daqui, logo é apenas um aperitivo e não almoço”. Nisso, escolhemos e damos uns aos outros as unidades que consideramos as mais apreciáveis por cada um. É lindo esse instante! Pois tem o recheio da emoção da vida, nossa e das pessoas que tanto amamos e que nem aqui estão mais fisicamente. Mesmo sendo toda vez a mesma metódica ritualística, o instante exposto tem seu ineditismo próprio e é sempre e mais tão logo desejável para uma próxima vez. Só o amor explica!!!

Seguimos, pois, nesse encontro comunal em tentar sempre fazê-lo uma contribuição singela e verdadeira de vida, mais uma parcela, degrau a servir para a reflexão e sustentáculo do destino a participar e construir. Fazemos um momento de passeio, recheado de registros fotográficos, às vezes, e de valorização do belo visto sob o prisma do simples, bem como do valor natural, na natureza sobremaneira. Seja no céu azul do fim de tarde, de estrelas a brilhar no noitecer, do vento em seu silêncio ou no seu jeito de nos tocar na alma, seja ainda por meio do brilho do sol e a luzes que traz à vida, nas águas paradas dos reservatórios artificiais que lançam movimentos inconfundíveis que se igualam ou perdem para a chuva em sua forma de apresentar-se aos passantes e despercebidos transeuntes do cotidiano... Contudo, o fenômeno mais, e inexoravelmente, belo desses encontros tem na forma do abraço apertado e constante com o riso e cheiro inconfundível, a expressão mais viva e real do que importa e vale na vida como essência viva.

Partimos para um instante planejado e intencional na noite após o jantar coletivo, sem celular, próximos uns aos outros, depois escovar os dentes como manda o figurino. É, isso importa! Sobretudo quando se trata de hábitos educacionais e relações afáveis familiares. Eis agora, dado o intervalo do movimento peristáltico natural, a hora da sessão de estudos, focado em nortes substanciais e imprescindíveis para uma educação de verdade. O norte primeiro é o ambiente, sem tv e sons ligados, com um bom e atual livro, sua leitura, sua reflexão, anotações, perguntas e respostas. E mais que isso, e com isso, complementado por desenhos, palavras soltas registradas para ilustrar o conteúdo ora visto. Com inserção de vídeos dos fatos estudados ali, com falas outras, com imagens e fatos inerentes e contundentes ao estudo em pauta da vez.

Ainda, e não menos importante, vem um momento quase final de leitura pública, em alto e bom som, com respeito a coerência e coesão da língua utilizada, com a alegria de fazer ao outro bem, bem aos ouvidos, bem ao sonho de juntos construir a vida mais promissora, ali, agora. De reconhecer quais principais ideias soam mais importantes na exposição feita. E valorizando quem as registrou no nome e na formação para tal. É hora de reconhecer, avaliar, de ganhar parabéns, de ouvir que pode ir muito além, de poder melhorar em dada compreensão, com vista tão bem apresentar-se continuamente no apontar o que fica para ser o próximo encontro.

Para tanto, não busco aqui esgotar a didática, tão pouco as visões e possibilidades de apostas em educar as crianças, seja com a disciplina necessária, seja com o conteúdo preciso. Sem perder de vista, é claro, o mediador capaz. Nesse tocante, chamo atenção para reconhecer, de forma indubitável, o quão pode ser valioso um professor com formação ampliada, com nível superior e até mais que isso junto ao momento aula com as crianças, logo disfrutará de bagagem e conhecimentos diversos para melhor ilustrar o que realmente e como importa nos conteúdos que foi planejado a alcançar em suas metas. É fato que em alguns países mundo a fora já é realidade da exigência em ter mestrado para atuar na sala de aula infantil. Aqui ainda falta ter contínua alimentação escolar (criminosos, hipócritas, incompetentes e malditos). Consegue imaginar o professor de seu filhinho e amiguinhos dele um mestre ou doutor em educação?! Que comunidade e sociedade pode esperar-se formar assim?

Inspirados no filósofo e professor de Alexandre “O Grande”, Aristóteles (384-322 a. C) e na realidade dos fatos como Lispector (1920-1977), assim, continuemos, pois, na lida constante e por vezes indesejável e injusta, na tentativa de construir mais, ser mais, diminuir a dor própria e dos outros nesse mundo cinza, cruel, amargo, contudo possível ainda de desfrutar o bem, o belo, o amável e sustentável. Logo “o mundo não é, o mundo está sendo” (FREIRE, 1997).

Não obstante, Viva a Vida, Viva!

*Antonio Jakson da Silva, doutor em Ciências da Educação, professor universitário. Contatos para críticas e opiniões: (99) 981331551 – WhatsApp, Instagram prof_jakson e e-mail: Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo. - Bacabal – MA, Abril. 2020.

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