Terça, 07 Julho 2020
Portuguese English Spanish
booked.net
João Carlos Lima

João Carlos Lima

Bacharelando em Direito pela Universidade Estadual do Maranhão e fundador do Movimento Bacabal Novo. 

Telefone para contato: (99) 98118-8274.

Sexta, 22 Mai 2020 12:47

A narrativa da morte

Nos últimos dias, observa-se uma disputa política para afirmar a eficácia de um remédio. Se você acreditar na palavra do seu ídolo, é o suficiente para tomar ou deixar de tomá-lo.

Essa degradação toda se expande na pós-verdade, na qual o fato é fato a depender da conveniência. Como assim? Imagine um prato de arroz. Maria afirma: "esse arroz é ruim"; e Pedrinho diz ser bom. O fato é que aquilo sobre o prato é indiscutivelmente arroz e, portanto, não caberia fazer juízo de valor nessa circunstância. Na pós-verdade, no entanto, discute-se não se é bom ou ruim, mas se é arroz ou não.

Nos tempos em que vivemos, fatos científicos ou fenômenos facilmente observáveis dependem da narrativa política. A eficácia de um medicamento, que deveria ser condicionada a estudos rigorosos, torna-se objeto de políticos palpiteiros.

Para a sociedade, os efeitos disso são catastróficos, pois é conduzida a partir de falsas visões de mundo, baseadas em afirmações estapafúrdias do ponto de vista científico e até mesmo ético. Além disso, os danos para o debate público são de morte. Nunca é saudável e tão pouco há entendimento. Se fosse verdade que "passar fome no Brasil é uma mentira" – pressuposto do qual parte o Presidente Jair Bolsonaro, não haveria discussão sobre soluções, porque a sua tese, ao contrário, baliza para a existência ou não da problemática (COMPROVADAMENTE existente). Obviamente essa posição é mais confortável: se não existe, não preciso me preocupar com isso.

Dessa maneira, a humanidade, que possui tantos impasses a serem superados – seja a desigualdade, a fome, a miséria, a crise ambiental –, perde-se em teorias da conspiração. E o pior é que há um agravante, especialmente para os brasileiros: a baixa escolarização, que dificulta uma posição crítica diante dos objetos. Por lógica, nos tornamos uma vítima maior do canto da sereia. Certamente há uns que, possuindo formação, continuam negando o mínimo razoável. A esses chamamos de desonestos intelectuais.

Em suma, na ambiência desses ruídos, não iremos avançar. A sociedade, destarte, deve repactuar valores civilizacionais mínimos para que daqui não se afunde mais na barbárie. O respeito à ciência, à Constituição Federal, à imprensa profissional e às outras instituições fundamentais para o convívio democrático e republicano deve ser preservado – o que implica na manutenção da sua existência e autonomia, não na ausência de críticas, pois elas são parte desse processo de fortalecimento.

Compartilhar nas redes sociais:
Quinta, 16 Abril 2020 17:13

BACABAL: UM TREM DESGOVERNADO

Gerir com qualidade um município é imprescindível para o seu crescimento saudável, razão pela qual todo gestor público deve incluir precisamente o processo de planejar, organizar, dirigir e controlar em sua administração. Para isso, deve-se estudar o espaço urbano, realizar pesquisas, fazer análises, diagnósticos e usar instrumentos (legais, administrativos, informacionais e financeiros) no intuito de organizar o território como um todo e, dessa forma, conseguir atender à demanda dos munícipes. 

Em Bacabal, por fatores de ordem histórico-cultural, as gestões possuem uma cultura organizacional fortemente fundada no modelo patrimonialista e oligárquico: embebido de pessoalidade nos atos administrativos e de pouquíssimo planejamento a médio e longo prazo; os cargos públicos são distribuídos como forma de favor para familiares (nepotismo), amigos e apoiadores do “soberano” da vez, que o faz a fim de se sustentar no poder.

Além disso, a administração pública se apropria da parte negativa do modelo burocrático, a saber: os processos morosos e complexos, que dificultam a vida dos administrados e o desenvolvimento de políticas públicas. 

Essa forma de gerir a coisa pública municipalmente difere-se do modelo gerencial, que é um marco para a evolução da gestão pública no Brasil nos anos 90, para o qual já deveríamos estar caminhando. Para isso, de forma simples, devemos adotar certas ferramentas já usadas no setor privado há anos e aumentar a consciência de todos da diferença entre o que é público e o que não é.

Cabe ressaltar que o modelo burocrático, o segundo na cronologia da administração pública, de acordo com Idalberto Chiavenato, foi o que trouxe os princípios da “profissionalização, a ideia de carreira, a hierarquia funcional, a impessoalidade, o formalismo, em síntese, o poder racional-Iegal” – esses que não são presentes em Bacabal. Prova disso é a contratação inconstitucional de pessoal feita aqui – a qual destrincharemos na próxima oportunidade.

A FALTA DE VISÃO DOS GESTORES

Entre os processos administrativos que mais fazem falta em Bacabal está o planejamento. Sem ele, não sabemos de onde saímos, para onde queremos ir, muito menos o caminho pelo qual percorreremos.

Marca disso é a banalização dos instrumentos legais de planejamento, tais como as leis orçamentarias e o Plano Diretor do município – mecanismo crucial para o desenvolvimento estratégico de uma cidade –, cuja criação data em 2006, segundo o IBGE, que nunca foi revisado.

Essas e outras coisas se dão em grande parte pela falta de competência dos gestores públicos, sobretudo aqueles que compõem a cúpula dos órgãos diretivos.

Estudos feitos por alunos de administração da UEMA apontam para a aleatoriedade nos atos das Secretarias Municipais. Dizem eles que a maioria esmagadora das ações é tomada com base nas demandas que aparecem. Ou seja, como não têm estudo prévio dos gargalos, dos seus causadores e de formas de solucioná-los, não enxergam os problemas e só podem responder às suas consequências quando já estão à porta.

Uma cidade que não sabe aonde quer chegar pode chegar a qualquer lugar, inclusive a nenhum. E, se chegar a outro, caso o acaso a socorra, não será sustentável. Assim, tão facilmente poderá voltar à estaca zero.

Destarte, a sociedade deve acordar para cobrar dos seus representantes a diminuição da aleatoriedade das ações governamentais, da baixa eficácia e efetividade e do patrimonialismo. No lugar disso, apoiar-se em padrões de planejamento, integração, estratégias e participação, envolvendo diretamente opiniões e anseios da população. Dessa maneira, poderemos seguir boa viagem.

 

*João Carlos Lima Silva é fundador do Movimento Bacabal Novo e graduando em Direito pela UEMA. Para mais informações: Contato (99) 98118-8274.

 

Compartilhar nas redes sociais:

Telefone

99 3621-6216 99 99107-5401 99 98117-0791

E-mail

contato@cuxa.com.br