Quarta, 21 Abril 2021
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Edgar Moreno

Edgar Moreno

SOBRE O AUTOR DA COLUNA

Edgar Moreno é cronista e escritor bacabalense, heterônimo do poeta Costa Filho, membro da Academia Bacabalense de Letras. Em abril, estreou com a coluna “Cronicando...” no site Cuxá. Escreveu ou escreve em outros jornais e sites, publicando eventualmente em suas redes sociais.

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Sábado, 02 Mai 2020 15:25

OS PLANTONISTAS

No dia do trabalhador, que tal enxergarmo-los melhor? Eles são muitos e atuam em diversas áreas. Enquanto tu dormes tranquilamente, repousas ao meio-dia ou voltas para casa e vais assistir ao teu programa preferido, eles estão lá, muitas vezes sob efeito de cafeína ou outras substâncias para se manterem acordados para que a máquina continue funcionando. Eles estão no transportar de alimentos para tua mesa, confecção de produtos para teu conforto e entretenimento, artigos para suprir a demanda do próximo feriado: os itens do ano novo, o ovo da páscoa, o presente das mães, dos pais e das crianças, a lembrança especial do dia dos namorados, o natal e até finados. Eles mão param, não dormem no ponto. Usam branco, azul, vermelho, amarelo ou qualquer cor que se ligue à manutenção da engrenagem da vida. Estão lá nos corredores dos hospitais e clínicas salvando vidas. Estão nas alturas a ligar fios desprendidos pela chuva e pelos vândalos. Estão nas áreas de produção ou nos porões de serviços para que não te falte a luz, a água, o telefone, a internet, as netflixes da vida. Eles estão lá nas guaritas e ruas ermas a guardar a tua casa e teus bens, a perseguir os suspeitos da noite. Estão nas delegacias, postos de combustíveis, bares, farmácias e funerárias. Estão nas estradas, nos criatórios, granjas e campos de produção diversa. Estão nas redações dos jornais compondo a notícia da manhã seguinte, selecionando imagens e pesquisando as novidades da hora.

Eles não estão tão longe assim. Podem estar no apartamento ao lado, no escritório de casa, em frente ao computador, correndo contra o tempo e contra o sono. Quantos deles não resistem à pressão do cansaço e do não reconhecimento e terminam desistindo ou tombando, sem nenhuma medalha pelo seu heroísmo. Mas é preciso seguir. E a categoria vai seguindo em sua necessária missão. Muitos expiram por salvarem vidas e muitos vivem pelo prazer de servir com aquilo que bem sabem fazer.

Esses profissionais plantonistas, que sustentam o grande e imperceptível movimento da noite não são menos que dignos heróis de respeito e merecedores de reconhecimento, sobretudo nesse dia em que o trabalhador é o brilhante tema do dia.

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(Crônicas, Costa Filho, ortônimo de Edgar Moreno)

#Cronicando... #Minicronicontos #CostaFilho #DiadoTrabalhador #Plantonistas

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Segunda, 27 Abril 2020 19:21

O DIA "D" DUM ARMAZÉM DE SUCESSO

Bacabal do Maranhão. Sábado, 19 de julho de 1958. A singela pracinha de Santa Teresinha, hoje chamada Praça Silva Neto, bem no centro do antigo e bem falado Bacabal de outrora, acolhe uma aglomeração de pessoas, que disputam espaço entre os tabuleiros de tecidos, confecções e eletrodomésticos. A casa é alta e a fachada, de cor creme, ainda fresca, impregna os traços de uma usina de arroz. As paredes elevadas e fornidas de adobe, o reboco forte e a tinta nova, dão ao prédio um aspecto renovado e imponente perante outras casas comerciais da cidade. As portas, largas, se agigantam para cima, assim como as paredes, com suas beiradas e detalhes brancos em alto relevo a subir rumo ao céu, e lá em cima, ao centro, o desenho de uma estrela, numa profecia simbólica de que ali nascia uma estrela mercantil nos céus da nossa querida Bacabal. Daí ganharia depois outras dimensões.

Tinha uns sessenta dias atrás que aquelas portas eram apenas um dos três galpões da Usina Dois Irmãos, alugado que fora para fins logísticos de ofertar ao Vale do Mearim o que os homens da cidade e as donas de casa precisavam, como fazendas e máquinas de costura, “roupas feitas”, cadeiras de macarrão, bicicletas, colchões, entre outros produtos bem característicos dum tempo em que nossa Bacabal alçava voo nos “Anos dourados” dos fins dos anos 50.

 Agora estava sendo inaugurada na cidade uma nova opção de empório, o Armazém Paraíba, cuja inscrição na parede era uma clara referência às origens de saída e determinação dos seus proprietários para cá, ao Mearim. Chegaram. Estabeleceram-se. E o momento era muito diferenciado dos demais comércios e dos tempos da época. O ambiente era alegre, festivo, memorável, bom de comprar e animado para se ver.  Desde cedo do dia, o moleque Nilo Lago já acordara com os estouros dos foguetes. O dia ia ser bom, pois ia ter até corrida de bicicletas do Paraíba até o Ramal, com premiação e tudo mais. Cá fora as paredes da loja se enfeitavam com “cortes” de chita, e lá dentro, no lugar do forro, panos coloridos decoravam o teto largo e fundo do barracão. A ordem para abrir foi dada pelo Seu Joca. Foi o vendedor e propagandista João da Costa Ramos quem abriu. E o fez com muita emoção. O povo entrou. Estava inaugurado o primeiro Armazém Paraíba da história.

Embrenhados na festa, o povo sorria, comprava, bebia e jogava conversa fora e já não queriam ir-se. Os clientes, autoridades e curiosos se sentiam altamente felizes e privilegiados em estar participando da inauguração daquele que, pelo jeito seria o armazém mais popular da cidade. No terreiro, uma camionete de carroceria de madeira e um megafone sobre a cabine anunciava o rasga-rasga de preços baixos, vendas no fiado e produtos da melhor qualidade. Enquanto isso, a pracinha, no inverno alagada, era uma festa só. Gente indo, gente vindo, os homens com suas calças simples e sociais, as mulheres com suas saias longas e fartas, e as crianças vestidinhas de babado ou calçõezinhos curtos. Os homens da roça, alguns com sua senhora a passar a pé ou de bicicleta, e, enxergando pela aba do chapéu, amarram seus animais e entram no empório para ver o que ali se sucede. Moços novos e até moleques encostam sua Monark ou sua Caloi enlameada das paragens e da própria praça sem calçamento, e todos se somam na multidão. O povo é uma curiosidade só, mas já parece afeito à proposta do armazém e seus donos, que ainda desconhecidos da população, se misturam ao povo cheios de carisma e simplicidade. A notícia correra, mas nem a todos alcançou. O fato começa a ser o motivo das conversas nos pés de balcões, à beira do rio, no carregamento de cargas, nas conversas urbanas e rurais e nos caminhos a fora. Bem perto da Rianil, uns “cumpades” cogitam de quem seria o empreendimento; e, ali vizinho, na porta da Souza Cruz e também em frente ao Dr. De Paula, o assunto era o mesmo. Mas quem seria esse comerciante novo que chegou com aquilo tudo? Havia de ter muito dinheiro e coragem. Havia de ter também uma estrela para o negócio. Isso era o que podiam se perguntar os comerciantes das lojas tradicionais. A conversa tanto girou que chegou a um funcionário, o qual assegurou sobre os donos, mostrando entre o povo, os irmãos Valdecy e João Claudino, protagonistas mentores daquele marcante evento. Um deles, o Seu Joca, já se punha perto do megafone para, ele mesmo dar sua colaboração na propaganda inaugural da loja. Ele era assim? Sempre presente, simples e contribuidor? Sim, isso mesmo, teria sido a resposta.

O povo veio, gostou, comprou e foi-se feliz para a sua família contar as boas-novas. Quanto à cidade, essa abraçou com afeto os novos comerciantes vindos de Cajazeiras fazer vida aqui no Mearim. Vieram. Acharam graça em nossa terra e nossa terra neles. Aqui fincaram a pedra fundamental de um grande empreendimento que se consolidaria futuramente passo a passo num grande negócio, com muito trabalho e determinação. O sonho estava se realizando. E muito bem.

Terminada a festa, uma câmera fotográfica eternizou o feito numa foto simples, mas significativa, uma prova rara do momento que seria a inspiração de muitas histórias e combustível para muitas outras lutas e vitórias dos irmãos Claudino, a partir de um singelo armazém fundado em Bacabal, mas denominado Paraíba.

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Sexta, 17 Abril 2020 20:20

CRÔNICA A LA CUXÁ

Prólogo a uma crônica de estreia

Alguns textos carecem de um prólogo. Ei-lo, pois:

Em meados de 2019, precisamente a 30 de junho, comecei a escrever como se já então fosse estrear uma coluna no site Cuxá. O feito não ocorreu à época, mas hoje está a se concretizar. Cousas da vida que querem se realizar e terminam se realizando mesmo. Deixemos o prólogo e passemos à estreia.

São exatamente dez e oito da manhã. O domingo é de sol ameno na Vila Kühn. Uma leve brisa perpassa pelo ar, balançando os capinzinhos da rua e deixando no tempo um cheirinho de bem-estar. No céu azul e límpido, uma dezena de aves negras sobrevoam as alturas a brincar nas nuvens brancas. Cá, em baixo, uns meninos aqui de perto empinam suas pipas simples, enquanto aqui, na minha calçada, me visto genuinamente de Edgar Moreno para um ofício peculiar e nobre: escrever uma crônica de estreia da webcoluna Cronicando... para o Cuxá, esse badalado site de minha cidade.  

O tempo me parece bem propício para isso. Acaba-se junho e com ele suas festas e comidas típicas.  Já dá até saudade do cheirinho gostoso do arroz de cuxá. Hum... Houve fogueiras? Não as vi, mas houve procissão de São Pedro no rio Mearim. Daqui a pouquinho, julho chega com seu ar de férias e nuances de um novo ciclo e, com ele, um Cuxá, agora temperado à la crônica.  Quero, deixar-me estar assim, contente e inspirado para mais uma etapa de publicação da literatura edgarina, que para o leitor menos atento pode vir a se confundir com seu ortônimo e parceiro Costa Filho, tais são os termos deste tópico frasal que aqui se encerra.

Pego da minha pena azul, porque para a crônica o dia não se pintará do preto do luto, nem do vermelho da guerra, mas se adornará do azul harmônico da serenidade e da harmonia. Já o papel e a escrita, prefiro a forma tradicional: a punho. E assim a crônica vai se desenhando neste caderno de rascunhos com folhas pautadas e capa verde. Eu poderia dizê-lo em folhas soltas, mas não é, e o cronista tem esse apego pelas minúcias e verdades. É que isso, diferentemente do computador, me parece mais justo e inspirativo para registrar esse momento doce e com efeito, histórico.

O tempo passa nesta sombra de muro. Os capinzinhos continuam em sua dancinha leve, as aves negras rodeiam os ares, os meninos correm pelo chão descalços. Uma crônica precisa sair-me, e sair muito bem original e marcante, como A última crônica, de Fernando Sabino.

E bem aqui detenho-me para a primeira correção textual, ou como diriam nossos estudantes, para “passar a limpo”, afinal essas rasuras e emendas já me parecem estúpidas e reclamantes duma melhor estética.

Tudo corrigido, agora; ou pelo menos acho. Prossigamos, pois, meu leitor.

A crônica tem mesmo dessas coisas: a gente escreve e reescreve, faz e desfaz, emenda e corrige para depois, no prelo, encontrar um deslize, uma melhor frase ou alguma cena não vinda na hora da criação. Talvez, leitor, não te recordes desse teu cronista, ou não conheças de perto essa moça linda e nobre chamada crônica. Pois cá estamos, eu, tu e ela para semanalmente ou quando assim nos for possível, encontrar-nos aqui pelo Cuxá. Eu, a trazer-te essa jovem serena e doce, inteligente e crítica; tu, a degustá-la; e, no meio de nós ambos, como centro das atenções, ela, elegantemente vestida de nuances históricas da cidade, do cotidiano bacabalense, dos modos de nosso povo ou mesmo imersa nalguma reflexão sobre a vida ou ainda se importando das pequenas grandes coisas que somente a crônica pode fazê-lo de modo tão singelo e singular.  E assim o será, eu, tu e a crônica, cada um com sua honrosa função: a minha, de construí-la ao teu bel prazer; a dela, de entreter-te de modo útil e agradável; e tu, leitor, aí do outro lado, com uma missão das mais admiráveis, quiçá a mais sublime, que é ler e curtir esse lírico cenário na sombra da tua porta, no teu escritório, no banco da praça, nos horários vagos, degustando, apreciando e compartilhando essas crônicas a la Cuxá, cuja leitura da edição inaugural estás a concluir agora. 

Resta-me, formular-te novo convite para as próximas crônicas e desejar-te uma boa leitura!

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Edgar Moreno é cronista e escritor bacabalense, heterônimo de Costa Filho, membro da Academia Bacabalense de Letras, Cadeira nº 2.

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